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Atualizado às: 25 de outubro, 2007 - 07h36 GMT (05h36 Brasília)
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Estrela Spitzer
Nova York é um Estado politicamente esquizofrênico. Elege governadores cheios de idéias e vigor, como os dois Roosevelt, Al Smith, Nelson Rockefeller, Mario Cuomo, e também elege patetas como George Pataki e Hugh Carey.

Agora temos Eliot Spitzer, um xerife nascido em berço de ouro no lado fino do Bronx, com passagens brilhantes pelas melhores universidades e campeão de brigas contra ricos e poderosos.

Os pais de Spitzer eram judeus que imigraram da Áustria e chegaram sem um centavo em Nova York. O pai fez fortuna em imóveis e educou os filhos com incentivo no debate nas refeições.

Spitzer perdeu a primeira eleição para presidente da tuma da escola quando tinha 12 anos. Descobriu que perder é mais instrutivo que que ganhar, mas dói muito e custa caro. Desde então, só perdeu uma eleição.

Ele se tornou figura nacional quando ainda era procurador do Estado de NY e investiu contra as maiores corretoras da Wall Street.

Com o país chocado e milhares de acionistas quebrados pela falência da Enron e outras empresas, a cruzada de Spitzer teve enorme apoio popular.

Merrill e as outras coretoras pagaram US$ 1,4 bilhão de multas. Num governo como o de Bush, onde as empresas e os lobistas redigem as leis, a estrela de Sptizer brilhou no país inteiro.

A ficha dele contra a máfia e criminosos menores também é longa e ano passado ele ganhou a eleição para governador de Nova York de lambuja.

Desceu na capital mais disposto a bater do que negociar. Um dos primeiros alvos foi Hal Bruno, o veterano líder da maioria republicana na Assembléia.

Seus assessores pecaram pelo excesso de zelo e o tiro saiu pela culatra. O governador foi acusado de usar métodos ilegais para levantar podres do republicano. Acabou absolvido pela investigação, mas a estrela perdeu brilho.

Sua nova briga é uma das mais difíceis da carreira. Quer dar carteira de motorista para imigrantes ilegais. A idéia não é nova nem original. Até 2004 Nova York não exigia prova de cidadania nem residência para emitir carteiras, e oito estados americanos já adotaram a medida.

Sem uma identidade americana - e a carteria de motorista é a mais comum - o imigrante não pode abrir conta em banco, ter seguro, telefone, alugar imóvel, enfim, leva uma vida às escondidas, incerta, mais cara e perigosa para o Estado.

Mesmo sem carteira o imigrante dirige, tem acidentes e, quando pode, foge sem prestar socorro. Quem dirige legalmente faz um seguro extra para se proteger contra motoristas sem carteira. A conta é de US$ 120 milhões por ano.

O governador, com apoio de especialistas em segurança e de grupos liberais, argumenta que a carteira de motorista, além de reduzir custos com seguro, vai identificar milhões de ilegais, e isto aumentará a segurança não só nas estradas, mas no país.

A lógica parece evidente, mas ele nunca levou tanto chumbo dos políticos e demagogos. A postura do país no momento é antiimigrante, e o estilo combativo de Spitzer desperta forças igualmente agressivas. A estrela do xerife se apaga.

Arquivo - Lucas
Leia as colunas anteriores escritas por Lucas Mendes.
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