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Potência da patente | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Na década de oitenta, um grupo de moradores da cidade de Acton, em Massachusetts, procurou a universidade Tufts e pediu ajuda aos estudantes para examinar a qualidade da água que suspeitavam contaminada por uma fábrica de químicos. O professor Sheldon Krimsky foi escalado para supervisionar os estudantes. Antes do resultado ser publicado, o vice-presidente da companhia W. R. Grace procurou o presidente da universidade para impedir a divulgação do resultado que confirmava a contaminação. O presidente da universidade mandou os poluidores às favas e os moradores foram compensados. Mas, e se a universidade, naquela época, estivesse recebendo algum dinheiro da fábrica para pesquisas, será que o presidente publicaria o resultado ou se submeteria à pressão da companhia? Desde então, Sheldon Krimsky dedicou sua vida a pesquisar e denunciar as relações promíscuas entre indústrias, universidades, agências do governo e publicações. Escreveu quase 200 ensaios e oito livros sobre o assunto, entre eles o best-seller Science in the Private Interest. Passei uma manhã com o professor no seu escritório da Tufts numa entrevista para o programa Millenio. Até a década de 60 poucos cientistas e pesquisadores faturavam em cima de suas descobertas, contou Krimsky. Quando Jonas Salk descobriu a vacina contra pólio perguntaram a ele por que não patenteava a descoberta. Ele respondeu: é possível patentear o sol? O sol ainda não patentearam, mas hoje dão patentes a genes e um quinto do meu corpo - e do seu também - já tem outros donos, garante o escritor Michael Crichton. Em 1965 as universidades americanas receberam 95 patentes. Em 2006 foram quase 4 mil. A mudança aconteceu na década de oitenta, quando o Supremo Tribunal decidiu que era permitido patentear coisas sui generis e o Escritório de Patentes dos Estados Unidos - USPO -, para perplexidade até dos pesquisadores do genoma, interpretaram que um gene era patenteável. A decisão provocou uma corrida de ouro na biotecnologia. Noventa e dois por cento das verbas de pesquisas saem do governo federal, mas nas melhores universidades americanas um terço da verba vem de empresas privadas. Os três vencedores do prêmio Nobel de medicina deste ano foram pioneiros em pesquisas genéticas em ratos de laboratório na década de 80. Mostraram como um gene modificado altera a saúde do animal e a pesquisa pode ajudar na cura de alzaimer, câncer, parkison e outras doenças. Não foram os únicos premiados por avanços genéticos. Sheldom Krimsky, o escritor Michael Crichton e muitos outros inlfuentes cientistas americanos têm sérias restrições sobre patentes, mas onde estaríamos sem os potentes royalties das patentes? |
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