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Atualizado às: 28 de setembro, 2007 - 09h27 GMT (06h27 Brasília)
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Trapo da elite
"Corrupção policial no Rio não tem cura" é o resultado de uma pesquisa no Rio provocada pelo filme do José Padilha, Tropa de Elite. "A sociedade não está preparada para uma polícia honesta", concluiu um sábio urbanista. Quanta barbaridade.

No começo do século 20, a Nova York pré-Lei Seca era a campeã americana em corrupção nas principais modalidades do crime: jogo, prostituição e álcool.

A área de mais ou menos dois quilômetros quadrados no West Side, da rua 23 ao Times Square, foi batizada pelo clero como Circo de Satan. Para a massa, era o "tenderloin", o melhor filé humano da cidade.

Charley Becker era o policial mais admirado de Nova York. Boa pinta, educado e recordista em prisões. Entrava sem bater e sem permissão onde bem entendesse a qualquer hora do dia ou da noite.

Criaram para ele uma tropa de elite de combate ao vício e à corrupção.

Dia sim e o outro também, os 12 jornais da época publicavam fotos do belo Charley. Ele vendia mais do que jornais. O assalariado de US$ 2.500 por ano não resistiu à tentação dos US$ 155 mil mensais oferecidos por Satan. Vendeu-se.

Sempre há um canalha mais ambicioso e, neste caso, era o promotor Charles Whitman, que descobriu os trapos do chefe da tropa de elite e armou uma cama de gato.

Um gângster menor, Herman Rosenthal, ameaçou abrir o bico e foi fuzilado num dos melhores hotéis de Times Square, poucas horas antes de contar os podres ao promotor. Coisa de cinema.

Charley foi o primeiro e maior suspeito do promotor Whitman, que via no lance uma chance de chegar a governador.

Ele quase foi salvo quando surgiram pistas de que o gângster tinha sido assassinado pelo mensageiro que ia entregar a ele o dinheiro para sair da cidade antes da confissão ao promotor. O arranjo tinha sido acertado por um gângster menor, um judeu, Arnold Rothstein.

Na hora de entregar a grana, o mensageiro não teria resistido e fuzilou Rosenthal. Era muita grana.

Os julgamentos do famoso policial foram notícias de primeira página durante três anos, um verdadeiro "julgamento do século". Condenado duas vezes, Charley morreu na cadeira elétrica de Sing Sing.

Mais de 5 milhões de homens e mulheres já serviram nas policias americanas. Charley foi o primeiro e único executado por homicídio.

A corrupção policial acabou durante muitos anos. Whitman, o promotor ambicioso e canalha, se elegeu governador. Rothstein, o pequeno gângster judeu, cresceu e botou ordem num grupo de bandidos italianos muito violentos e meio trapalhões que mais tarde ficaria conhecido como o crime organizado, a Máfia.

Arquivo - Lucas
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