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Atualizado às: 24 de outubro, 2007 - 10h19 GMT (08h19 Brasília)
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Cristina explora fim de dependência do FMI na campanha

Cristina Fernández de Kirchner
Cristina Kirchner lidera pesquisas de opinião e poderia vencer no primeiro turno, segundo pesquisas
O governo argentino do presidente Néstor Kirchner ainda depende de uma carta do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao Clube de Paris para respirar aliviado antes da posse da nova administração, no dia 10 de dezembro.

Na carta, o Fundo deve informar, oficialmente, ao Clube de Paris, como contou o economista Orlando Ferreres, da consultoria Ferreres e Associados, que a Argentina não lhe deve nada.

O tema já vem sendo explorado pela campanha da primeira-dama Cristina Fernández de Kirchner, favorita nas eleições presidenciais deste domingo.

Segundo Ferreres, o resultado da carta enviada pelo FMI é que o Clube de Paris autorizaria a liberação de recursos de bancos europeus para financiamento de diferentes obras de infra-estrutura na Argentina.

Mas, para isso, o organismo multilateral de crédito pretende, afirmou Ferreres, que o ministro da Economia, Miguel Peirano, assine um documento aceitando a visita das missões do Fundo à capital argentina, Buenos Aires.

Fato comum em muitos países, mas não na Argentina, onde existe forte rejeição popular ao organismo.

"Kirchner não suportaria a hipótese de a mulher dele assumir o cargo com o Fundo respirando no pescoço dela", escreveu o jornalista Jorge Luiz Velazquez, do jornal Clarín.

A primeira-dama e senadora Cristina Fernández de Kirchner lidera as pesquisas de opinião e, de acordo com os diferentes levantamentos, venceria no primeiro turno das eleições presidenciais deste domingo.

Expectativa

O governo Kirchner aguarda, há vários meses, essa carta do FMI formalizando ao Clube de Paris (entidade que reúne 19 países desenvolvidos) que a Argentina não deve nada ao organismo multilateral de crédito, com sede em Washington, nos Estados Unidos.

"Essa carta é importante para que sejam destravados financiamentos de bancos europeus para a realização de várias obras de empresas estrangeiras na Argentina", afirma Ferreres.

A expectativa, segundo ele, é que o Fundo envie esta carta nos próximos dias e assim sejam liberados mais de US$ 7 bilhões para a conclusão das obras de duas centrais elétricas, a construção de outras cinco centrais elétricas, uma linha férrea e obras de infra-estrutura em diferentes pontos do país.

Publicamente, o governo Kirchner já demonstra alívio por não depender mais do FMI, desde que quitou sua dívida com organismo com o pagamento de cerca de US$ 9,8 bilhões no ano passado.

Numa das propagandas eleitorais de televisão da presidenciável Cristina Kirchner, uma voz em off pergunta a um grupo de crianças do jardim de infância: "O que é o FMI?”.

Entre as respostas, entre risos infantis, eles dizem que é um "lugar cheio de animais" e ainda "um país onde está tudo ao contrário".

No fim da apresentação, o locutor afirma que o governo conseguiu fazer com que os filhos e futuros netos dos argentinos não saibam o que é o FMI.

E depois afirma que em vez de emprestarem dinheiro do exterior, que venham investir cada vez mais na Argentina. A propaganda está na página da campanha da presidenciável na internet.

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