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Apatia marca campanha presidencial na Argentina | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A menos de um mês das eleições presidenciais argentinas, no dia 28 de outubro, a apatia do eleitorado domina a campanha que, segundo pesquisas de opinião, mantém o favoritismo da presidenciável Cristina Fernández de Kirchner, da Frente para a Vitória. São poucos os cartazes nas ruas das principais cidades do país e raros os anúncios da propaganda eleitoral nas emissoras de rádio e televisão. "A campanha só está começando agora, mas será preciso algum fato muito bombástico para que Cristina não vença, seja no primeiro ou no segundo turno", disse à BBC Brasil o analista político Sérgio Berensztein, da consultoria Poliarquia, de Buenos Aires. "Se Cristina não chegar a vencer no primeiro turno, vai se repetir aqui o que aconteceu com Lula, no Brasil. No segundo turno, como Lula, ela aumentará a distância para o adversário que deverá ter menos votos que no primeiro turno, como aconteceu com (Geraldo) Alckmin", completou. Pesquisas No domingo e na segunda-feira, a consultoria Poliarquia divulgou pesquisas de opinião, encomendadas pelo jornal La Nación, revelando que Cristina conta com 39,8% das intenções de voto - 28,1% a mais do que a segunda colocada, a candidata Elisa Carrió, da Coalición Cívica, que registrou 11,7% neste levantamento. Em outra pesquisa, encomendada à Universidade Aberta Interamericana (UAI) pelo jornal Perfil, Cristina receberia 37,8% dos votos válidos e Carrió 18,7%. O sistema eleitoral argentino prevê que para vencer no primeiro turno o presidenciável deve obter mais de 45% dos votos, ou mais de 40% com uma diferença de dez pontos percentuais para o segundo colocado na disputa. Segundo a pesquisa da Poliarquia, a possibilidade de segundo turno é "pouco provável", como contou Berensztein. Ele explicou que dos 22,7% de indecisos, mais da metade está inclinada a votar em Cristina. "O eleitor que votará pela candidata do governo pensa: o país está crescendo, o desemprego está em queda, por que vou arriscar meu voto na oposição?", disse ele. De acordo com o analista Alejandro Catterberg, da mesma consultoria, a dúvida hoje é saber qual será o percentual de votos que Cristina vai receber, mas ele afirma que também não tem dúvidas de que ela sairá vitoriosa. A mesma pesquisa revelou que 28% dos eleitores afirmaram que ainda podem mudar seu voto. Mas também neste caso, a inclinação é por Cristina e nenhum outro candidato. "Na Argentina, um mês pode ser uma eternidade. E seria uma estupidez acreditar que o voto está consolidado", ressalvou o analista Jorge Giacobbe, da consultoria Giacobbe e Associados. Novidades Para analistas, esta campanha eleitoral está sendo marcada por novidades no cenário político do país: o fim da fidelidade partidária, antes tão tradicional na Argentina; a magnitude da distância entre o provável primeiro e segundo colocado na disputa; a fragmentação da oposição e a apatia do eleitorado, outrora definido como "apaixonado" por política. Este quadro, já leva assessores do presidente Nestor Kirchner, marido de Cristina, a especularem os primeiros passos do governo dela e quem ficará ou saíra do Ministério, na sua eventual gestão. "O clima de campanha ainda não chegou e nesse contexto o governo tenta registrar a sensação de uma eleição já vitoriosa", escreveu Eduardo Aulicino, do jornal Clarín. Ao mesmo tempo, opositores mostram-se divididos até mesmo na crítica. "Cristina terá uma vitória impressionante", admitiu, nesta segunda-feira, o ex-ministro da Economia e também presidenciável, Ricardo López Murphy, que ficou em quinto lugar nos dois últimos levantamentos. "Eu não levo nenhuma pesquisa a sério. São todas pagas pelo governo", afirmou o ex-ministro da Economia do governo Kirchner, Roberto Lavagna, terceiro na disputa, segundo dados das pesquisas da UAI e da Poliarquia. |
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