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Kirchner espera Chávez discreto para não atrapalhar Cristina | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, desembarca na capital argentina nesta segunda-feira para assinar acordos financeiros e energéticos com o governo do colega Nestor Kirchner. Mas como sua visita ocorre a cerca de 80 dias das eleições presidenciais da Argentina, marcadas para 28 de outubro, surgiram diferentes versões sobre o objetivo político da viagem. Para alguns setores ligados aos movimentos sociais, como “Barrios de Pie” (“Bairros de Pé”), a presença de Chávez poderia influenciar os eleitores de esquerda a definirem o voto pela presidenciável Cristina Fernández de Kirchner, senadora e primeira-dama do País. Mas, como informaram no fim de semana os jornais Clarín e La Nación, o casal Kirchner preferiu que Chávez seja, desta vez, o mais discreto possível – dentro do possível – durante sua passagem pela Argentina. A viagem teria sido reduzida a menos de dois dias, contrariando planos iniciais, para que não se corra o risco de prejudicar a imagem que vem sendo construída pela primeira-dama, de realizar um governo mais pragmático, caso vença as eleições. Ela lidera a preferência dos eleitores em várias pesquisas de opinião. Cristina costuma defender a gestão de Chávez e destacar a importância energética da Venezuela para a região, mas prefere planejar, caso seja eleita, um governo “mais aberto ao mundo”, de acordo com avaliações de assessores da administração oficial. “Ela está mais para Lula, do Brasil, e Michelle Bachelet, do Chile, do que para Chávez, da Venezuela, e Rafael Correa, do Equador”, insistem fontes próximas ao atual governo. “Nosso país deve se voltar ao mundo”, disse ela em entrevista ao La Nación. “Para cuidar da candidata K, Chávez chega discreto. Não haverá manifestações massivas e nem discursos contra os Estados Unidos”, escreveu o Clarín. "Alô presidente" Em seu programa dominical Alô presidente, Hugo Chávez fez vários elogios à presidenciável argentina. "Tudo bem, presidenta? Espero que não me acusem na Argentina de estar me metendo (na campanha). Tudo indica que teremos presidenta em poucos meses. Cristina é leal e corajosa", disse. Antes mesmo de oficializar sua candidatura, Cristina viajou aos Estados Unidos, França, México e Equador, entre outros países. Acaba de chegar de uma visita oficial com o marido ao México, se prepara para ir à Alemanha e deve embarcar para o Brasil antes do pleito presidencial. Analistas argentinos entendem que ela pretende reativar a política externa argentina – tema que não despertou muito interesse na gestão do seu marido. Segundo Cristina, Kirchner assumiu um governo em crise e a prioridade era a gestão interna. Por isso, nesta segunda-feira, ela estará com o presidente recepcionando Hugo Chávez e na terça-feira participará da reunião do Conselho das Américas, presidido pela americana Susan Segal. “Nos dois casos, o casal presidencial pretende fazer o dever direitinho, mostrando-se bolivariano (com Chávez) e favorável aos americanos (com Segal)”, escreveu Silvio Santamarina, do jornal Perfil. Esta é a segunda viagem de Chávez à Argentina neste ano. A programação desta nova visita prevê que ele se reunirá com Kirchner, na Casa Rosada (sede da Presidência da República), e depois o casal o receberá na residência presidencial de Olivos. Chávez comprará US$ 1 bilhão em títulos públicos da dívida do país, como confirmou o chefe de gabinete da Presidência, Alberto Fernández. Nos últimos três anos, a Venezuela passou a ser um dos principais financiadores da Argentina. Brasil Chávez chega a Buenos Aires poucos dias depois de ter feito críticas à falta de “apoio político” do Brasil à construção do Gasoduto do Sul. O presidente ainda aguarda a aprovação do Congresso brasileiro à entrada de seu país no Mercosul. “Na hora de acordos com Chávez, o governo Lula passou a ser campeão da estratégia do sim e do não. Sim, para aceitar idéias do Gasoduto e do Banco do Sul. Mas não, para tirá-la do papel”, criticou o analista argentino Atílio Boron, professor de relações internacionais. De Buenos Aires, Chávez deverá embarcar para o Uruguai, depois Bolívia e Equador. Em março, durante visita de George W. Bush à América Latina, o líder venezuelano também realizou giro paralelo pela região. |
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