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Atualizado às: 02 de agosto, 2007 - 22h29 GMT (19h29 Brasília)
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Crise energética aumenta déficit comercial da Argentina com Brasil

O presidente da Argentina, Néstor Kirchner
Kirchner diz que não há crise, e sim aumento da demanda
A crise energética argentina contribuiu para aumentar o déficit na balança comercial do país com o Brasil. Esse aumento foi de 16,6% em julho em comparação a igual período do ano passado e de 21% em relação a junho deste ano.

Segundo o jornal Ambito Financiero, desde que passaram a produzir de acordo com as restrições de energia elétrica impostas pelo governo do presidente Néstor Kirchner, as empresas argentinas estão optando por abastecer primeiro o mercado interno para depois exportar.

Kirchner tem insistido, em diferentes discursos, que não existe crise energética, mas aumento da demanda diante das taxas recordes de crescimento.

Apesar disso, fontes do Ministério das Relações Exteriores da Argentina anteciparam à BBC Brasil que a questão energética poderá ser um dos principais assuntos do encontro entre os ministros Celso Amorim, do Brasil, e Jorge Taiana, da Argentina, nesta sexta-feira, em Brasília.

“É claro que o governo está preocupado, mas num ano eleitoral fica difícil admiti-lo publicamente”, disse um assessor da administração Kirchner.

Saldo negativo

Os resultados da balança comercial, divulgados pelo governo brasileiro e interpretados pela consultoria argentina Abeceb.com, revelam ainda que este é o quarto mês consecutivo que a Argentina parou de recuperar terreno na balança comercial com seu principal parceiro comercial.

Os números confirmam, de acordo com a Abeceb, que a Argentina registra 50 meses consecutivos de déficit na relação comercial com o Brasil, acumulando saldo negativo de US$ 2 bilhões só neste ano. Nos últimos quatro meses, o déficit vem aumentando.

"O déficit da balança comercial da Argentina com o Brasil, em julho, nos surpreendeu, já que a produção do país se mantém alta. O Brasil continua muito importante em forma global. Ou seja, o problema é nosso, na Argentina", disse o economista Maxiliano Scarlan, da Abeceb.com.

Atualmente, a Argentina perde para Estados Unidos e China na lista dos principais exportadores para o Brasil.

Até julho deste ano, os Estados Unidos venderam US$ 10,2 bilhões ao mercado brasileiro. A China registrou US$ 6,2 bilhões, superando a Argentina, com US$ 5,5 bilhões.

Os principais itens da Argentina que registraram déficit com o Brasil são do setor industrial – o mais castigado nos últimos meses pelo racionamento de energia, já que o governo decidiu evitar as restrições nas casas de família.

Estima-se que 7 mil indústrias da Argentina estão sendo atingidas pela restrição e 300 delas estiveram paradas no auge do frio do mês de junho.

Frio

O frio voltou a ser registrado esta semana, provocando aumento no consumo de aquecedores, por exemplo.

Nesta quinta-feira, o Intituto Nacional de Estatísticas e Censos da Argentina (Indec) informou que o frio intenso provocou, em junho, aumento de 7,3% no consumo de energia em todo o país.

Ao mesmo tempo, o geração de eletricidade neste período limitou-se a uma alta de 1,13%.

Especialistas em energia como os consultores Daniel Montamat e Francisco Mezzadri insistem que a única alternativa do governo é “distribuir” o racionamento com o setor doméstico para provocar um freio no ritmo atual de expansão econômica.

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