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Atualizado às: 23 de outubro, 2007 - 11h50 GMT (08h50 Brasília)
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Argentina: 73% do eleitorado 'não se interessa' por eleição

Argentina passa em frente a cartazes de propaganda da candidata presidencial Cristina Fernández de Kirchner na Argentina
Para analistas, eleição é a mais apática da era democrática
A campanha presidencial que definirá o sucessor do presidente argentino, Néstor Kirchner, está sendo marcada pelo que alguns analistas dizem ser a "mais forte" apatia desde o retorno da democracia, em 1983.

Segundo pesquisa da consultoria Poliarquía publicada na segunda-feira no jornal La Nación, sete de cada dez eleitores não estão interessados na corrida eleitoral que terá seu primeiro turno no domingo, dia 28, e não têm curiosidade sobre os assuntos políticos.

A pergunta do levantamento foi direta: "Você se interessa por política?"

Entre os entrevistados, 34% dos entrevistados responderam "pouco", e 38,5% disseram "nada".

A soma destes resultados, segundo os analistas da Poliarquía, mostrou que mais de 72% dos argentinos não querem saber, hoje, do assunto.

Diante da segunda pergunta – "você presta atenção a esta campanha?" – 37% responderam "pouco" e 36,5% afirmaram "nada".

No total, 73,5% dos entrevistados confirmaram apatia frente à disputa eleitoral que definirá quem governará o país durante os próximos quatro anos, a partir do próximo dia 10 de dezembro.

O mesmo levantamento mostrou que 26,4% afirmaram estar "muito" ou "bastante interessados" pela política, e 26% prestam "muito" ou "bastante" atenção a esta corrida eleitoral.

Os dados revelam que a Argentina, em outras épocas definida como a "mais politizada da região", mudou.

Civilizados

"Foi-se o tempo que nos matávamos por política. A paixão e a violência política registradas com força até os anos 70 e o interesse pela política, em queda desde os anos 90, praticamente desapareceram com a histórica crise de 2001", disse o analista Jorge Giacobbe, da consultoria Giacobbe e Associados.

"Já não matamos, literalmente, o outro porque tem idéias políticas diferentes das nossas. Neste sentido, estamos mais civilizados."

Para o analista Sergio Berensztein, da Poliarquía, o estranho seria que houvesse interesse pelas eleições. Ele explicou: "Não existe debate político na Argentina. Além disso, os cidadãos não têm como avaliar as propostas dos candidatos".

Para Berensztein, estes fatos contribuem para o divórcio entre a campanha eleitoral e a sociedade argentina. Para ele, a "boa notícia" é que dois de cada três argentinos entendem que as urnas são o melhor caminho para a democracia.

O sociólogo e analista político Manuel Mora y Araujo destacou que, desde o retorno do regime democrático, a população argentina vem perdendo confiança nos partidos políticos.

"A proporção de pessoas que se declaram filiadas a algum partido caiu de 26%, naquela época, em 1983, para 11% agora", disse.

"Os chamados politizados, que são filiados a alguma legenda ou simpatizantes, chegavam a 73% dos eleitores. Esse percentual despencou para 22%, agora".

Democracia sem partidos

Mora y Araujo observou que uma democracia sem partidos pode até funcionar, mas reproduz uma situação que começou a ser registrada na eleição presidencial de 2003. Aquele pleito, que elegeu Néstor Kirchner, foi marcado pela dispersão do voto e a fragmentação partidária, ele recordou.

Em 2003, o peronismo (movimento político criado pelo ex-presidente Juan Domingo Perón, há 62 anos) apresentou três candidatos separadamente: Kirchner, o ex-presidente Carlos Menem (1989-1990) e Adolfo Rodríguez Saá (irmão do atual candidato Alberto Rodríguez Saá). Eles tiveram, somados, mais de 60% dos votos nacionais.

Agora, o peronismo, de acordo com dados da Poliarquía, reúne cerca de 40% do eleitorado.

Seja como for, para a oposição, a apatia registrada na reta final da campanha atual acaba "favorecendo" a candidata da situação, a primeira-dama e senadora Cristina Fernández de Kirchner.

"Foi o governo que instalou esse desinteresse divulgando tantas pesquisas a seu favor, querendo mostrar que o resultado já está definido e com isso desestimulando a participação popular", disse o presidenciável e ex-ministro da Economia de Kirchner, Roberto Lavagna, do UNA (Uma Nação Avançada).

Segundo as diferentes pesquisas de opinião, este peronista estaria em terceiro na disputa eleitoral.

O desinteresse dos argentinos nesta reta final da campanha levou o analista Joaquín Morales Solá a dizer, em seu programa na emissora de televisão TN ("Todo Notícias"):

"Temos que ter claro que as pesquisas são mostras da possível realidade, mas a realidade se resolverá nas urnas. E essa situação realmente contribui para a apatia. Mas não se esqueça que a eleição só se resolve depois de contado o último voto".

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