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Atualizado às: 10 de setembro, 2007 - 23h35 GMT (20h35 Brasília)
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Perguntas e respostas: O futuro dos EUA no Iraque

General David Petraeus e George W. Bush
Relatório de Petraeus é importante para estratégia de Bush
Em seus depoimentos no Congresso americano nesta segunda-feira, o comandante das forças americanas no Iraque, general David Petraeus, e o embaixador dos Estados Unidos em Bagdá, Ryan Crocker, fizeram avaliações positivas da estratégia empregada pelo país no Oriente Médio.

De acordo com Petraeus, do ponto de vista militar, a escalada de cerca de 30 mil soldados para o Iraque no início deste ano vem propiciando uma redução da violência sectária no país e uma diminuição de ataques cometidos contra civis e as tropas americanas no país.

Crocker, que em 2003 se opunha à guerra, agora acredita que ''um Iraque seguro, estável, democrático e em paz com seus vizinhos é alcançável'' e que a trajetória de estabilidade política do país é ''ascendente''.

Veja, a seguir, algumas questões levantadas sobre o relatório do general David Petraeus e do embaixador Ryan Crocker.

Os depoimentos de Petraeus e Crocker vão ao encontro da política do presidente George W. Bush para o Iraque?

Sim. O presidente vem pedindo tempo à oposição democrata e à opinião pública americana para que sua estratégia de enviar mais soldados ao Iraque comece a surtir efeitos.

As declarações do comandante militar e do diplomata endossam a visão de Bush de que a escalada militar que teve início neste ano está surtindo efeito.

Petraeus afirmou que desde que os americanos ampliaram sua presença no Iraque, o número de atentados a bomba e atos de violência contra soldados e civis caíram consideravelmente.

O presidente Bush deverá seguir com a atual política para o Iraque ou deverá mudar de estratégia?

Os relatos de Petraeus e Crocker são trunfos de Bush para seguir com a atual política. Mas é improvável que os depoimentos diminuam o desgaste da imagem do presidente junto à opinião pública americana, causado pelo conflito no Oriente Médio.

Petraeus disse que se atual situação perdurar, os Estados Unidos poderão reduzir o seu efetivo no Iraque a partir do ano que vem. Não seria um sinal de que os americanos pretendem rever sua estratégia?

O general Petraeus disse que os americanos poderiam reduzir seu efetivo a partir de meados do ano que vem, mas em relação à escalada militar estabelecida no início deste ano. Ou seja, para o comandante militar, após terem ampliado seu número de soldados e uma vez que conseguirem consolidar as conquistas que supostamente estão fazendo no Iraque, o número de soldados poderá sofrer um declínio.

Mas o comandante militar não falou em retirada gradual dos soldados americanos nem em estabelecer um prazo para que as tropas comecem a ser removidas em definitivo do Iraque.

O conflito no Golfo vinha causando cisões dentro do Partido Republicano. Após os relatórios apresentados nesta segunda, o apoio do à guerra dentro do partido de Bush deverá ser reforçado?

É improvável que o efeito dos depoimentos de Petraeus e Crocker vá tão longe.

Quando as forças americanas invadiram o Iraque, em 2003, os republicanos cerraram fileiras no apoio ao conflito.

Mas, a um ano da eleição presidencial, muitos republicanos não se mostram dispostos a apostar cegamente as suas fichas em uma guerra que parece já não contar com a aprovação da maior parte do eleitorado.

Alguns dos republicanos que deram carta branca para a ação militar defendida por Bush, como o senador e presidenciável Johh McCain, parecem ter pago um preço alto.

A candidatura de McCain, que foi um árduo defensor da guerra desde o início, parece estar com os dias contados. E muitos republicanos já falam abertamente sobre a necessidade de os Estados Unidos reverem a sua política.

O presidente americano vai acabar tendo de ceder aos argumentos dos democratas para estabelecer um prazo de retirada do Iraque?

Não. Os democratas tentaram de várias formas impor votações que obrigassem o presidente a estabelecer um prazo para a retirada do país. Como eles contam com uma maioria simples no Senado, 51 votos contra 49, não contam com a capacidade de vencer o poder de veto de Bush.

Se Bush não pode considerar a guerra como uma vitória política, tampouco podem os democratas, que não tiveram qualquer sucesso em mudar os rumos do conflito no Iraque, desde que assumiram o controle da Câmara e do Senado no início deste ano.

Caso eles venham a conquistar a Casa Branca, na eleição presidencial de novembro de 2008, é possível que os democratas ''herdem'' a Guerra do Iraque e tenham de seguir administrando as tropas americanas no país, ainda que talvez com um contingente mais reduzido.

O general Petraeus disse que o Irã está ameaçando o futuro do Iraque. Isso significa que os americanos irão agir militarmente contra o Irã?

É a grande incógnita, que analistas e estrategistas militares americanos ainda não foram capazes de responder. Uma guerra, propriamente dita, como a do Iraque, parece estar descartada, ao menos por enquanto.

As tensões entre os dois países são crescentes. Nesta segunda, Petraeus voltou a reforçar o argumento americano de que o Irã está dando apoio material e treinamento a insurgentes iraquianos.

Os Estados Unidos estão montando uma base militar no Iraque que fica a pouco mais de seis quilômetros do Irã, o que poderia sinalizar para uma possível ação militar no futuro.

Políticos americanos vinham fazendo várias críticas ao governo iraquiano. Mas o embaixador Ryan Crocker fez uma avaliação positiva da administração do país. É um sinal de que o governo do premiê Nouri al Maliki reconquistou a confiança de Washington?

Esse é mais um ponto no qual Bush e os autores do depoimento desta segunda estão afinados. Muitos políticos, não apenas democratas, mas também republicanos, vinham dizendo que o primeiro-ministro Nouri al Maliki não estava sendo capaz de conter a violência sectária no país e que ele seria refém de milícias como a do clérigo xiita Moqtada al Sadr.

Alguns políticos democratas e republicanos chegaram até a sugerir que Maliki deveria renunciar. Mas Bush defendeu o premiê, afirmando que ele é ''um bom sujeito com um trabalho muito difícil'' e comentando também que qualquer mudança no governo do Iraque será decidida em Bagdá, não em Washington.

Nesta segunda, Crocker disse que a trajetória do Iraque é ''ascendente'' em termos de desenvolvimentos políticos, econômicos e diplomáticos, mas que ela não deve se dar rapidamente. Os discursos mais recentes de Bush adotaram um tom semelhante.

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