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Atualizado às: 03 de setembro, 2007 - 11h29 GMT (08h29 Brasília)
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Governo britânico nega que retirada de Basra seja derrota
Soldado iraquiano em complexo abandonado por tropas britânicos
Poder em Basra será entregue a iraquianos até final do ano
O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, disse que a retirada das tropas britânicas da cidade de Basra, no sul do Iraque, não seria uma capitulação perante constantes ataques promovidos por forças insurgentes na região.

Em entrevista à BBC, Brown disse que a retirada dos soldados já estava programada há tempo.

"Este é um deslocamento planejado e organizado do Palácio de Basra para a base aérea de Basra. Este é basicamente um deslocamento de uma posição em que tínhamos um papel de combate para um papel de vigilância", afirmou Brown.

Os 550 soldados que operavam na cidade se juntaram a outros 5 mil soldados britânicos que permanecem no Iraque, na última base da Grã-Bretanha, situada nas proximidades do aeroporto de Basra - localizado fora da cidade.

'Responsabilidades'

O premiê afirmou que a Grã-Bretanha vai cumprir com as responsabilidades que assumiu com o povo iraquiano e com a Organização das Nações Unidas (ONU) e ressaltou que as tropas vão poder "intervir em certas circunstâncias".

As tropas britânicas que controlavam a segurança de Basra concluíram sua retirada nesta segunda-feira, marcando o fim da presença militar britânica em cidades iraquianas.

"Todas as forças britânicas se deslocaram no início da manhã de hoje do Palácio de Basra para o aeroporto, como parte do processo de transferência dos palácios para controle iraquiano", informou uma nota do Exército britânico.

A operação de retirada começou às 22h, no horário local (15h, horário de Brasília), e foi concluída ao meio-dia desta segunda-feira (5h, horário de Brasília).

"Não houve confrontos nem ataques a forças britânicas durante a operação. A transferência formal do palácio irá ocorrer em um futuro próximo", afirmou o Exército, acrescentando que até lá a segurança de Basra continua sob responsabilidade das forças britânicas.

Violência sectária

A retirada do complexo do antigo palácio de Saddam Hussein, que tem sido alvo de ataques diários de morteiros e foguetes de militantes xiitas, é considerada um passo rumo à entrega de toda a província de Basra aos iraquianos - prevista para ocorrer até o fim deste ano - e de um eventual fim da presença das tropas britânicas no Iraque.

Integrantes do Exército Mehdi, liderado pelo clérigo xiita Moqtada al-Sadr e uma das milícias dominantes em Basra, comemoraram a retirada como uma vitória do grupo e uma derrota da Grã-Bretanha.

Basra é a segunda maior cidade do Iraque e o principal centro de produção e exportação de petróleo do sul do país, além de ser a fonte da maior parte dos rendimentos do governo no setor.

Várias milícias xiitas lutam pelo controle da região, especialmente pelo controle do tráfico ilegal de petróleo.

De acordo com a população local, existe uma frágil trégua entre as milícias rivais e teme-se que a retirada dos britânicos reacenda a violência sectária na região.

Retirada 'planejada'

Gordon Brown também afirmou que a Grã-Bretanha poderá se concentrar agora na reconstrução da economia em Basra e em outras partes do sul do Iraque e se recusou a determinar um prazo para a volta para a casa dos 5,5 mil soldados britânicos que permanecem no Iraque.

"Farei um discurso no retorno da Câmara dos Comuns (dia 8 de outubro) sobre o que nós faremos no futuro. O número de soldados vai permanecer praticamente o mesmo neste momento", disse Brown.

A transferência do controle das 18 províncias do Iraque das forças de coalizão lideradas pelos Estados Unidos aos iraquianos começou em julho de 2006, quando a segurança da província de Al Muthanna, também no sul do país, passou a ser responsabilidade das forças locais.

Até o fim de 2006, outras duas províncias no sul do país foram entregues às forças iraquianas: Dhi Qar, que estava sob controle britânico, foi entregue em setembro, e Najaf, ocupada por tropas americanas, foi devolvida em dezembro.

Em abril de 2007, foi a vez de a província de Maysan ser repassada para controle iraquiano. Assim como Basra, os soldados iraquianos primeiramente se retiraram da região, em julho do ano passado, e apenas meses depois a transferência da segurança às forças iraquianas foi formalizada.

A saída de Basra foi bem mais tranquila do que a retirada das tropas britânicas de Al-Muthanna e Maysan, que foram saqueadas horas após os soldados deixarem as províncias.

Nesta segunda-feira, soldados iraquianos podiam ser vistos em frente ao portão principal do Palácio de Basra e bandeiras iraquianas foram hasteadas no topo do complexo.

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