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Atualizado às: 29 de maio, 2007 - 08h35 GMT (05h35 Brasília)
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Família libanesa convive com rotina de combates

A família Salma, da cidade de Aabdeh, no Líbano (foto: Tariq Saleh)
A família Salma vive a apenas 200 metros do campo palestino onde exército e militantes se enfrentam
Quando cai a noite na cidade de Aabdeh, onde fica o campo de refugiados palestinos de Nahr el-Bared, local em que militantes do grupo islâmico Fatah al-Islam e o Exército libanês se enfrentam ferozmente desde o dia 20 de maio, é hora de desligar as luzes.

A família Salma vive a apenas 200 metros do campo palestino e tenta levar uma vida normal apesar da rotina dos tiroteios.

Na estrada que corta a cidade há um trecho paralelo ao campo palestino – uma área aberta e perigosa. Poucas são as casas não perfuradas por balas ou atingidas por morteiros.

Pelas ruas, há vidros quebrados, roupas deixadas espalhadas no quintal e portas trancadas com cadeados, sinal de uma saída apressada.

A maioria dos libaneses da área deixou suas casas para se refugiar com parentes. Mas Saleh Salma, 47, seus pais e quatro irmãos desafiaram a lógica.

Eles permaneceram em suas casas, de onde pode-se ter uma das melhores vistas para a batalha que se desenrola ali perto.

Durante o jantar, o som perturbador do gerador passava um certo desconforto. A batalha se desenrola a apenas 200 metros de distância.

“Logo teremos que desligá-lo, pois as luzes chamam a atenção dos militantes”, disse Salma.

Pausa para rezar

Logo a batalha recomeçou e os tanques, posicionados na colina acima da casa, iniciaram bombardeios ao campo.

O barulho das explosões era angustiante, mas a família disse estar acostumada.

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Soldados fecharam a estrada, a área transformou-se em zona militar restrita. O gerador foi desligado. Agora, só a luz de velas.

Saleh lembrou quando tudo começou: “Eu vi os militantes da minha sacada quando eles atacaram o posto militar e degolaram jovens soldados que estavam lá. Eles também roubaram armas e munições”.

O conflito começou quando policiais libaneses tentaram prender suspeitos de um roubo à banco. Os suspeitos, membros do grupo Fatah al-Islam, que muitos acusam de ligações com a Al-Qaeda e com a inteligência síria, iniciou ataques a militares libaneses que patrulhavam os arredores do campo de refugiados.

Dezenas de soldados e militantes já morreram nesse que é considerado o pior conflito interno do Líbano desde o fim da guerra civil, há 17 anos.

Depois de uma hora de tiroteios, houve uma pausa. Os alto-falantes de uma mesquita ao longe fizeram chegar a toda a área a reza muçulmana. Saleh e dois irmãos, Mohamad, 24, e Ali, 26, rezavam em um quarto ao lado.

De repente, a batalha cessou. “Ambos os lados respeitam a reza anunciada pela mesquita”, explicou.

Exatamente 10 minutos depois, ao final da última palavra pronunciada pela mesquita, recomeçaram os combates.

"Estrangeiros"

Saleh disse que os militantes do Fatah al-Islam eram em sua maioria estrangeiros – sauditas, sírios, egípcios, sudaneses e até iraquianos.

“Eles têm um sotaque diferente, de outros países árabes”, disse. “Os palestinos estão sendo usados, não merecem isso.”

O número de vítimas civis ainda não é conhecido, mas a Cruz Vermelha calcula que 27 palestinos já morreram no conflito, e há muitos feridos.

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De uma janela da casa da família Salma, podia-se ver a ferocidade da batalha. Como precaução, nenhuma luz era acesa, evitando chamar a atenção de soldados ou dos militantes.

O céu escuro era iluminado pela trajetória das balas dos rifles automáticos e metralhadoras e pelas explosões dos tanques libaneses.

Fogo cego

Não se sabia para onde estavam atirando. Não se sabia onde os civis estavam refugiados. A família tomava chá no escuro enquanto assistia a um prédio em chamas, resultado da artilharia libanesa.

Os soldados aparentavam cansaço, segundo Ali. “Eles não dormem direito há dias e, além disso, estão nervosos e estressados.”

Os tiros disparados pelos militantes atingiram uma casa a 10 metros da família Salma. Mas eles não queriam deixar suas casas.

“Nossos vizinhos fugiram. Nossas esposas e filhos pequenos estão em outra cidade com parentes. Não queremos ir porque estamos acostumados”, disse Mohamad.

Para ele, os militantes não querem atingir civis libaneses, apenas os soldados.

Mohamad também disse que os carros trafegavam normalmente pela estrada. “Mas passam em alta velocidade. Afinal, estamos no fogo cruzado.”

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