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Atualizado às: 22 de maio, 2007 - 05h41 GMT (02h41 Brasília)
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Confrontos no Líbano entram no terceiro dia consecutivo
Corpos de soldados libaneses em Trípoli
Agências humanitárias não conseguem chegar até as vítimas
Depois de poucas horas de calmaria, os confrontos entre tropas do Exército do Líbano e militantes islâmicos em um campo de refugiados palestinos no norte do país entraram em seu terceiro dia consecutivo nesta terça-feira.

Mais de 50 de pessoas, muitas delas civis, já morreram nos confrontos no campo de Nahr al-Bared, nos arredores da cidade de Trípoli, onde estima-se que vivam cerca de 40 mil refugiados palestinos.

A Cruz Vermelha fez um apelo nesta segunda-feira por uma trégua para criar um "corredor humanitário" e permitir que as agências de auxílio possam chegar às áreas mais afetadas.

Uma tentativa de um cessar-fogo de duas horas terminou em apenas alguns minutos, com a retomada dos confrontos antes que veículos das Nações Unidas e da Cruz Vermelha pudessem entrar no campo.

Até agora, as equipes médicas conseguiram retirar apenas 16 feridos da área. Segundo testemunhas, há diversos cadáveres e pessoas feridas nas ruas.

Apoio de Bush

Desde o amanhecer desta terça-feira, o Exército libanês voltou a atacar os militantes do grupo sunita Fatah al-Islam, suspeito de ter ligações com a rede Al-Qaeda e com a Síria.

No entanto, o Exército prometeu parar os ataques caso o grupo faça o mesmo. O Fatah al-Islam ameaçou aumentar a sua campanha se o Exército continuar com os bombardeios.

Na segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, manifestou apoio à ação do governo libanês.

Em declaração à agência de notícias Reuters, Bush disse que os militantes islâmicos devem ser detidos. "Extremistas que estão tentando derrubar essa jovem democracia devem ser dominados", afirmou.

Bush disse que não iria acusar a Síria de envolvimento nesse conflito particular até que tivesse mais informações.

O embaixador da Síria nas Nações Unidas, Bashar Jaafari, negou qualquer envolvimento de seu país com o grupo Fatah al-Islam. Disse ainda que alguns integrantes do grupo estavam presos na Síria por envolvimento com a Al-Qaeda.

Em um incidente separado na segunda-feira, uma bomba explodiu em uma área nobre da capital libanesa, Beirute, ferindo pelo menos seis pessoas.

Pior conflito em 17 anos

Os episódios de violência interna no país vêm sendo descritos como os mais intensos desde o fim da guerra civil, há 17 anos.

Nos combates de domingo, mais de 20 soldados e 20 militantes morreram, além de um número não confirmado de civis.

O ministro da informação, Ghaza Aridi, disse que o Exército vai "caçar" os grupos militantes.

Aridi disse que entre os militantes mortos no domingo há "líderes importantes que já realizaram grandes ataques e estavam planejando outros".

Autoridades libanesas disseram à imprensa que um dos militantes mortos era procurado pela Justiça alemã, acusado de ter participado do planejamento de um ataque (que acabou não sendo realizado) contra trens na Alemanha.

Os confrontos começaram em Trípoli e depois se espalharam para o campo de Nahr al-Bared, onde está baseado o grupo sunita Fatah al-Islam, que supostamente teria ligações com a rede Al-Qaeda e com a inteligência síria.

Roubo a banco

O governo libanês acusou o Fatah al-Islam de tentar desestabilizar o país, enquanto o grupo alegou que o Exército provocou a violência.

Os combates começaram após as forças de segurança libanesas terem realizado uma batida em um prédio em Trípoli à procura de suspeitos de um roubo a banco.

Após terem resistido à voz de prisão, militantes do Fatah al-Islam atacaram postos do Exército na entrada do campo de refugiados, onde vivem 30 mil palestinos.

Um acordo firmado há 38 anos impede que o Exército entre nos campos de refugiados do Líbano.

Horas mais tarde, um grande número de tropas libanesas contra-atacou. O grupo militante disse que foi uma agressão não provocada.

O Líbano abriga mais de 350 mil refugiados palestinos que deixaram suas casas originais após a fundação de Israel, em 1948.

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