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Milhares fogem da violência em campo de refugiados no Líbano | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Milhares de pessoas estão fugindo do campo de refugiados palestinos de Nahr al-Bared, no norte do Líbano, que desde domingo é palco de violentos confrontos entre tropas do Exército libanês e militantes islâmicos do grupo sunita Fatah al-Islam. Segundo testemunhas, muitos dos refugiados palestinos que vivem no campo, perto da cidade de Trípoli, estão aproveitando uma interrupção nos combates para fugir. "Milhares de refugiados - homens, mulheres e crianças - começaram a fugir a pé ou de carro do campo de Nahr al-Bared desde o início da tarde, para se abrigar no campo de Beddawi, próximo ao local", disse um funcionário de Nahr al-Bared, Hajj Rifaat, à agência de notícias AFP. Carros lotados com até 10 pessoas levavam bandeiras brancas ao deixar o campo, conforme a agência de notícias Reuters. Na manhã de terça-feira, depois de intensos combates, um porta-voz do grupo Fatah al-Islam, Abu Salim, disse que os militantes se comprometeriam com uma trégua informal enquanto o Exército libanês não atacasse o campo de refugiados. Houve diminuição nos combates, apesar de relatos de alguns confrontos esporádicos. Comboios de ajuda da Organização das Nações Unidas (ONU) entraram no campo para levar comida e água. Um deles, no entanto, foi forçado a deixar o local depois que granadas explodiram perto dos veículos. O coordenador de assuntos humanitáiros da ONU, John Holmes, pediu aos dois lados que permitam a entrada de suprimentos no campo e disse que estava indignado com o fato de o comboio ter sido obrigado a deixar o campo. "Realmente, a situação é muito ruim. Não há energia, comida ou água", disse Ashraf Abu Khorj, que vive no campo, à BBC. "Não há hospital dentro do campo. Há muitos feridos e muitas pessoas estão morrendo." Apoio Os episódios de violência interna no país vêm sendo descritos como os mais intensos desde o fim da guerra civil, há 17 anos, e já mataram dezenas de soldados, militantes e civis. Os combates começaram no domingo, após as forças de segurança libanesas terem realizado uma batida em um prédio em Trípoli à procura de suspeitos de um roubo a banco. Depois de resistir à voz de prisão, militantes do Fatah al-Islam atacaram postos do Exército na entrada do campo de refugiados, onde vivem 30 mil palestinos. O governo libanês acusa o Fatah al-Islam de ter ligações com a rede Al-Qaeda e com a inteligência síria e de tentar desestabilizar o país. O grupo alega que o Exército provocou a violência. Na noite de segunda-feira, o gabinete de governo do Líbano autorizou o Exército a aumentar seus esforços para colocar "um fim ao fenômeno terrorista que é estranho aos valores e à natureza do povo palestino". O Departamento de Estado americano afirmou que está considerando um pedido urgente do governo libanês de mais ajuda militar no valor de US$ 300 milhões para combater os militantes. Na segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, já havia manifestado apoio à ação do governo libanês. Em um encontro em Beirute para discutir o conflito, o chefe de política Externa da União Européia, Javier Solana, pediu ao primeiro-ministro do Líbano, Fouad Siniora, que os militares respeitem a segurança dos civis. O Itamaraty divulgou uma nota nesta terça-feira afirmando que tem "acompanhado com bastante preocupação os recentes enfrentamentos". Segundo a nota, "o governo brasileiro expressa apoio ao governo libanês em sua tarefa de defesa da ordem pública (...) e em seu papel no resguardo das instituições democráticas e da estabilidade do país". "O governo brasileiro conclama as partes envolvidas a envidar todos os esforços no sentido de proteger as populações civis e garantir o acesso do Crescente Vermelho, da Cruz Vermelha e de outras organizações de assistência humanitária ao campo de refugiados de Nahr al Bared." A nota diz ainda que o Brasil recebeu com preocupação "a notícia dos ataques a bomba ocorridos em 20 e 21 de maio em Beirute". |
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