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Atualizado às: 14 de dezembro, 2006 - 17h08 GMT (15h08 Brasília)
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Lucas Mendes: Plise, tankiu, seu bestalhão
Naqueles tempos, quando os parentes e amigos ricos voltavam da Europa, vinham encantados com os ingleses, "povo mais bem educado do mundo! O policial só faltou carregar a gente no colo, os taxistas batiam até continência. E as arrumadeiras? Minha filha! Que educação, que pele fina!"

Os parisienses e os nova-iorquinos eram os campeões das grosserias, uns rabugentos por natureza, os outros sempre apressados.

Em julho, foi publicado o resultado do teste de boas maneiras do Reader's Digest feito em 36 cidades de 35 países e, para surpresa geral e dos nova-iorquinos em particular, Nova York foi campeã mundial de gentilezas.

Os testes, conduzidos por um homem e uma mulher, eram simples: as pessoas que entravam ou saíam seguravam as portas para as outras? Quando deixavam cair um maço de papéis, alguém vinha ajudar? Nas lojas, as compras eram sempre acompanhadas de um muito obrigado dos balconistas?

Em último lugar ficou Mumbai (ex-Bombaim, na Índia) e muitos protestaram a ausência de São Francisco, Chicago e outras cidades americanas, mas a maioria, pelos blogs e outros métodos menos científicos, concordaram que o nova-iorquino é gentil. Até Judith Martin, a mais lida colunista de bons modos no país, elogiou a etiquetada população de Nova York.

Foi o 11 de setembro, sacaram os analistas de comportamento. Não, foram as cacetadas do Giuliani naqueles pestes que limpavam pára-brisas e nos vadios que mijavam nas ruas. Não sei.

Sei que os nova-iorquinos acreditaram na pesquisa do Reader's Digest e propagaram o vírus plisetankyou e seus derivados. No elevador é afteriou, no plise, iufest, plise, plise, plise. Tankiou. Até o trânsito da cidade melhorou.

Com argumentos e citações de Aristófanes, Wiitgenstein e Heraclitus, o professor Emrys Westacott, na última edição do The Journal of Applied Phisosophy, sustenta que uma certa rudeza é necessária e até indispensável.

Você chamar seu amigo de bestalhão (meathead), por exemplo, é uma prova de confiança mútua que reforça a amizade. Pegar no pé ou tirar um sarro, entre amigos, diz ele, é uma virtude. Ser rude às vezes é a única forma de ser honesto e romper a convenção.

Neste momento, na televisão e no cinema americanos, os rudes estão entre os campeões de audiência - o inglês Simon é a maior atração no American Idol e Borak é recordista de bilheteria.

Ontem, no correio, fui testemunha de uma situação comum, o encontro do gentil com o indiferente. O camarada segurou a porta para a mulher que entrou sem dar o tankiou, um sorriso, nenhuma atenção à gentileza.

O correio inteiro ouviu a reação dele: "DE NADA, SUA VACA GORDA MAL-EDUCADA". A cortesia nova-iorquina tem limites.

Arquivo - Lucas
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