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Atualizado às: 23 de novembro, 2006 - 11h49 GMT (09h49 Brasília)
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Lucas Mendes: Ferrado
Ainda não sei se foi sorte ou azar chegar aos Estados Unidos no mesmo mês do nascimento de Screw, na época a mais pornográfica das publicações pornográficas, uma Playboy sem verniz nem as regurgitações de Hugh Hefner.

Quanto mais pornô, para mim, menos sexy, mas como nunca tive cabeça de censor ficava fascinado com a ousadia e as provocações de Screw. Em forma de tablóide, o investimento inicial foi de 150 dólares.

Seu criador foi Al Goldstein, um judeu do Brooklyn que até a adolescência
fazia xixi na cama, era gago e vivia apanhando na escola.

Adulto, foi motorista de celebridade, fotógrafo do Fair Play Cuba Committee (foi preso em Havana) e da Pakistan Airlines. Em 62 acompanhou Jackie Kennedy numa viagem de boa vizinhança ao Paquistão.

Screw surgiu quando ele trabalhava na Blood and Guts, uma revista sobre violência. Goldstein achou que sexo tinha mais futuro e ele era pessoalmente interessado no assunto. Muito gordo e cheio de espinhas, as relações dele com mulheres não eram fáceis. Só pagando.

Screw cresceu depressa e na edição # 206 Goldstein publicou Jackie Onassis nua. Vendeu 530 mil exemplares. Screw deu crias, entre elas Midnight Blue, um programa pornô no canal de acesso público da televisão a cabo.

Era um sucesso. Nas festas de ricos os anfitriões gostavam de chocar os convidados ligando a televisão no canal das orgias presididas por Goldstein, com sua barriga gigante e um pênis minúsculo.

Fiz uma reportagem sobre ele para a revista Fatos e Fotos e nos mostrou como conseguia algumas das mulheres que apareciam nuas nos programas. Era uma abordagem direta, de rua. Ele se aproximava da mulher com sua câmera e perguntava se ela queira aparecer no programa Midnight Blue.

A maioria nunca tinha ouvido falar no programa e se sentia lisonjeada. Quando Golstein explicava que era pornô levava uma bronca ou até ameaça de tapas. Ele abordava a mulher seguinte com a mesma cara de pau.

Foi processado várias vezes, preso 24, colecionou inimigos poderosos como a máfia, Nixon e o ministro da Justiça. Ganhou a maioria dos casos, ficou multimilionário, comprou uma mansão de onze quartos na Flórida, um casarão em Nova York e uma coleção de relógios que valia milhões.

Mas o pornô do velho Goldstein perdeu a graça e alguns processos custaram caro. Quatro divórcios contribuíram para a falência da revista em 2004. Foi preso roubando três livros na Barnes and Noble e demitido por dormir no emprego numa lanchonete.

Depois de uma temporada na prisão por ameaçar uma das ex-mulheres, viveu uma temporada sem teto na Flórida. Hoje, 77 quilos mais magro, dorme por cortesia no apartamento de um amigo em Nova York.

Aos 70 anos, acaba de lançar sua autobiografia I, Goldstein, My Screwed Life. Vai poder pagar o aluguel de um apartamento e viver com suas memórias dos tempos da fama infame.

Arquivo - Lucas
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