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Atualizado às: 16 de novembro, 2006 - 08h22 GMT (06h22 Brasília)
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Terceira idade em Manhattan
"Vou morrer em Boston. É mais barato e tenho um sobrinho por lá".

Meu vizinho Ralph, de fato, morreu em Boston esta semana. Estava envelhecido, triste e solitário depois da morte da mulher, Doris.

A solidão dos velhos nos Estados Unidos parece maior e mais comum do que em países com menos dinheiro e mobilidade.

Por causa de estudos ou trabalho, as famílias aqui se separam cedo e quando envelhecem não há aquela rede de proteção de parentes que há em países emergentes ou países como a Itália, onde as famílias são mais apegadas.

Apesar dos preços e da solidão da terceira idade, Manhattan está atraindo mais velhos do que nunca. São pessoas que tem algum dinheiro e querem mais do que o ar condicionado e a água fresca da Flórida.

Além de uma infra de bons hospitais Nova York oferece, parques, entretenimento, educação e segurança. Há uma dúzia do que chamamos de casa de repouso, hotel-residência para terceira idade ou o tradicional asilo.

Em Manhattan, um pequeno estúdio - 50 metros quadrados - numa destas residências custa na faixa de 4 mil dólares por mês com café da manhã e várias refeições, depende do plano.

A maioria das residências oferece piscina, massagens, sala de ginástica, biblioteca com computadores e acesso a internet, salas de aula para artesanto e artes plásticas, meditação, yoga e palestras.

Alguns prédios oferecem alas reservadas para quem precisa de assistência médica mais específica, como quem sofre do mal de Alzheimer, mas fora destas alas, pelo ambiente e decoração, você não percebe que está num prédio de velhos.

Quatro mil dólares por mês não é barato porque cobre pouco mais do que cama e comida. Cinema, teatro, telefone, TV a cabo, roupas, refeições fora exigem pelo menos outros 2 mil dólares por mês.

Mas há um segredo muito bem guardado em Manhattan: quarto com café da manhã, jantar e arrumadeira por mil dólares por mês num endereço nobre, Gramercy Park.

A pensão, o Park Side Evangeline, só para mulheres, pertence ao Salvation Army, o Exército da Salvação. Os quartos são limpos mas mínimos: dez metros quadrados. A mobília se limita a uma cama, um armário e uma mesa.

TV é permitida mas homens são proibidos. Álcool também. O horário de visitas no quarto termina a 11 da noite.

A hospedagam dá direito a chave do parque em frente, o único de Nova York fechado para o público.

Apesar das restrições há uma longa fila de espera para entrar no hotel porque as 300 hóspedes do Park Side Evangeline não vão embora. Por este preço a maioria literalmente só sai de lá morta ou de ambulância.

Arquivo - Lucas
Leia as colunas anteriores escritas por Lucas Mendes.
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