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Atualizado às: 19 de outubro, 2006 - 15h48 GMT (12h48 Brasília)
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Eles chegaram! Viva Jesus, Maria e José
Ou será que já estavam aqui há dias, talvez meses?

Os americanos anunciaram que chegaram aos 300 milhões de habitantes na terça-feira de manhã.

Segundo o censo, o 300.000.000º americano deve ter sido um bebê mexicano ou um imigrante que atravessou a fronteira.

Na última contagem, em 2000, erraram a população por cinco milhões e desde então os números ficaram ainda mais incertos por causa dos 12 milhões de ilegais. Mas este não é o ponto. Doze a mais ou a menos, e daí?

Em 67, quando chegaram aos 200 milhões, houve grande fanfarra. O presidente Johnson foi para o saguão do Ministério do Comércio e diante de um "Relógio do Censo" deu as boas-vindas ao novo bebê que a revista Life identificou no momento exato do nascimento em Atlanta, na Geórgia.

Naquela época, os imigrantes representavam 5% da população americana e eram, na maioria, italianos. Agora, os imigrantes representam 12% da população e são liderados pelos mexicanos.

Os conservadores construtores de muros e fiscais de fronteira acham que 12% de imigrantes, na maioria latinos, é um número bárbaro, mas em 1915, quando americanos entraram na marca dos 100 milhões, os imigrantes representavam 15% da população.

Eram na maioria alemães, mais bem nutridos, educados e menos primitivos do que nós, latinos.

Na década de 60, os políticos não estavam com medo dos 200 milhões de habitantes, nem faziam campanha contra imigrantes. Os alarmistas eram os cientistas e a imprensa. Quando trabalhava no grupo Bloch, eu entrevistava cientistas e anunciava bombas humanas.

O alarme não era só entre os países pobres. Em 68, os nobelistas Linus Pauling e outros gênios compraram páginas inteiras de jornais e, embaixo de um lindo bebê de fraldas, anunciaram: Ameaça a Paz.

O livro mais vendido na época era de Paul Ehrlich, prevendo guerrilhas, motins e saques nas ruas americanas na década de 80 por causa de comida.

Foi quando os americanos começaaram a ficar obesos, hoje um dos maiores problemas do país.

Os 300 milhões são devoradores. Representam 5% da população do mundo e consomem 23% da produção. E sujam o planeta.

De quem devemos ter mais medo? Dos cientistas que anunciam o aquecimento global, dos políticos que combatem a praga latina ou dos imigrantes?

Não vou estar aqui para comemorar os 400 milhões em 2043, mas gostaria de ter sido convidado na terça-feira para o discretíssimo, quase secreto, bolo com ponche dos empregados do Censo comemorando os 300 milhões.

Parabéns para vocês americanos pelo novo marco e viva Jesus, Maria e José.

Sem Jesus, Maria e José, os americanos poderiam estar nas ruas amotinados e saqueando por causa de alimentos. Não haveria quem plantá-los nem colhê-los.

Arquivo - Lucas
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