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Lucas Mendes: EUA X União Européia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Onde se vive melhor, nos Estados Unidos ou na União Européia? Quem está melhor hoje e quem oferece o melhor futuro? Quem está em decadência? Esperei quase três meses pelas respostas de Tony Judt, um dos mais respeitáveis historiadores nos Estados Unidos, autor de 11 livros, ensaísta prolífico, diretor do Instituto Erich Maria Remarque na New York University, onde ele é professor de Estudos Europeus. Chega de créditos, mas vale um pouco da história do Tony Judt. De família judia da Europa Central, nasceu e cresceu na Inglaterra, estudou na França e ensina nos Estados Unidos há quase vinte anos. Perguntei a ele, afinal: "Qual é a sua"? "Sou inglês, sou francês e sou americano", disse Judt. "Falo mal dos três países mas se você esculhambar algum deles eu me sinto ofendido e sei como defendê-los". O último livro de Tony Judt, Postwar, A History of Europe Since 1945,que ainda não foi publicado no Brasil, é uma viagem de 900 páginas que começa na Europa devastada e faminta em 1945, flertando com o comunismo. Em 1947 começaram a jorrar os dólares americanos do Plano Marshall, o equivalente, hoje, a U$200 bilhões. Os países da Europa Oriental também foram convidados a participar do plano, mas recusaram. Sem corrupção nem desperdício, em menos de 5 anos, a Europa estava de pé e em 20, estava industrializada. Até a Segunda Guerrra, diz Judt, com exceção da Inglaterra, Alemanha e Bélgica, quase toda Europa Ocidental era agrícola, "como o Brasil". Nossa conversa cobriu a Guerra Fria, a implosão da União Soviética, enfim, os principais eventos europeus destes 60 anos, e, em particular, o anti-americanismo. Tony Judt explica que o fenômeno é muito anterior à Segunda Guerra, que originalmente os Estados Unidos eram desprezados pela direita e pelas elites européias. Até 1945, "a esquerda, os pobres e nem a União Soviética estavam empenhados em fazer campanha anti-americana". "Hoje", diz ele, "o sentimento anti-americano é mais forte do nunca e não é culpa do presidente Bush". "Ele é apenas um agravante. A política externa americana é um desastre e a politica econômica é outro. É um pais de serviços. Produz cada vez menos e depende cada vez mais dos empréstimos orientais. Até quando esta formula pode funcionar?" Ele acha que a China vai degringolar, a Índia ainda não tem nada a oferecer e os Estados Unidos estão em decadência. "O modelo para o século 21 é o da União Européia. A vida na Europa não tem os excessos de riqueza nem de pobreza americanos mas é política, cultural e moralmente mais viável". E quando vai ser a implosão americana? "Impossível prever", diz ele, "mas não serão séculos, como foi a decadência do império romano. Estamos falando de uma questão de décadas". |
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