70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 15 de junho, 2006 - 08h14 GMT (05h14 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Lucas Mendes: A revoada das enfermeiras
Se você é latino e quiser ir para a guerra no Iraque, o governo americano convida. Se não voltar em saco de plástico, terá residência garantida e possibilidade de cidadania. Há duas condições: é preciso estar nos Estados Unidos e falar inglês.

Há uma outra forma muito menos perigosa e com salários cada vez mais promissores: enfermagem. As 1, 1 mil escolas americanas não produzem enfermeiras suficientes para suprir a demanda porque os salários dos enfermeiros são mais altos do que os dos professores de enfermagem. Não há quem ensine.

De onde vêm as enfermeiras? Há vários anos as filipinas lideram a revoada e até os médicos filipinos estão fazendo cursos de enfermagem para obter residência nos Estados Unidos. É muito mais fácil do que entrar como médico, refazer os cursos, testes e residência em hospitais.

As enfermeiras do Caribe e outros países de língua inglesa, inclusive africanas, já entram sem problemas mas há um prejuízo para os países exportadores que, em geral, pagam pelos cursos de médicos e enfermeiros.

Fórmula

Os governos estão mobilizados em busca de uma fórmula para o Tio Sam para pagar a conta da educação dos emigrados mas não há como impedir a saída das enfermeiras.

Sara, Santa Sara, como gostamos de tratá-la, cuidou do meu pai mudo e paralisado por um derrame no final da vida. Divorciada, com dois filhos, trabalhava antes como doméstica. Com ajuda dos patrões, conseguiu o diploma de enfermeira e hoje trabalha numa clínica particular. Pega pesado em dois turnos para ganhar, no máximo, US$ 400 por mês.

Nos Estados Unidos, sem hora extra, ganharia US$ 4 mil que poderia dobrar com cursos especializados. Tentei trazer Sara mas, sem inglês, nada feito. Com a língua entra a família toda.

Hoje, nos Estados Unidos, há 118 mil vagas para enfermeiras. Em 2020, numa previsão do governo federal, vão precisar de 800 mil.

Americano não sabe, não quer e não tem tempo para cuidar de doente, nem mesmo de pai e mãe. Nem quer dar banho em velhos nos asilos. É profissão para emergentes. Sara, ispiquinglish.

Arquivo - Lucas
Leia as colunas anteriores escritas por Lucas Mendes.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
Fama infame
11 maio, 2006 | BBC Report
Lucas Mendes: EUA - Brasil com gás
04 maio, 2006 | BBC Report
O Sonho (Latino) Americano
13 abril, 2006 | BBC Report
Guerra na Praça
06 abril, 2006 | BBC Report
Fogueiras de imigrantes
29 março, 2006 | BBC Report
O presidente 'Você'
28 março, 2006 | BBC Report
O Inventor da Entrevista
16 março, 2006 | BBC Report
Pérolas Urbanas
14 março, 2006 | BBC Report
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade