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O Sonho (Latino) Americano | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os imigrantes vão ganhar esta parada. Fui convencido pelas marchas nas grandes cidades. Minha previsão era que milhões de imigrantes nas ruas seriam um tiro pela culatra. Os antiimigrantes adorariam ver um quebra-quebra de latinos nas ruas americanas, em estilo francês. Um barbarismo tropical seria a realização do sonho dos conservadores para derrubar a crescente simpatia americana pela causa do imigrante ilegal, mas o que vimos na noite de segunda pela televisão foram latinos - homens, mulheres e crianças - em marchas cívicas como nos tempos de Martin Luther King. Nos rostos, nos depoimentos e nos discursos havia humildade, às vezes orgulho, mas não havia ameaça. A frase de ordem nas faixas era "Nós Somos América". Quase todas as bandeiras eram dos Estados Unidos, e a única queimada diante das câmeras foi uma mexicana, por um grupo de extrema-direita. Com raras exceções, como a rede Fox, a imprensa americana foi saturada de editorais e matérias com números a favor dos ilegais e não só na área econômica. Embora os latinos estejam chegando aos milhões, o número de crimes no país caiu 57% nos últimos anos. Nas questões de família, os laços latinos são mais fortes do que os americanos. Há menos divórcios, menos abortos entre adolescentes, mais cuidado com as crianças e os velhos. Um dos líderes mais influentes da campanha antiimigrante é o jornalista Lou Dobbs da rede CNN. Em geral, nos debates, ele provoca os oponentes que acabam perdendo a cabeça - e o argumento - porque apelam para os insultos. Na noite de segunda, dia das marchas, Lod Dobbs foi massacrado pela jornalista Maria Elena Salinas, âncora da rede Univision, com uma série de perguntas que deixaram o demagogo sem respostas. A parte mais controvertida da lei aprovada em dezembro na Câmara contra os imigrantes ilegais já foi removida. Era a que qualificava como crime o simples fato de estar ilegalmente no país. E a noção de que seria possível deportar 11 milhões de ilegais está "muerta". A situação ainda está indefinida no Congresso e não sabemos se haverá uma nova lei ou ficará tudo como dantes, mas com 500 mil ilegais entrando por ano no país, os americainos vão ter que dividir o sonho com os latinos como dividiram com outros imigrantes. |
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