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Atualizado às: 07 de dezembro, 2006 - 12h49 GMT (10h49 Brasília)
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Lucas Mendes: Ricos desgraçados
Ontem passei a manhã com o historiador e biógrafo David Nasaw, que passou os últimos seis anos investigando e escrevendo sobre Andrew Carnegie, o quase anão – media menos de 1,60m – que chegou a ser o homem mais rico do mundo.

Hoje ele é um modelo para bilionários generosos, mas tratava seus animais muito melhor do que seus empregados. O livro é um bom presente de Natal.

Pelo começo. Andrew nasceu pobre, filho de um tecelão, numa cidade pobre da Escócia, em 1835. Era um garoto simpático, sempre bem disposto, mas não revelou nenhuma precocidade de liderança ou de investimento.

A família, com dinheiro emprestado dos parentes, veio para Pittsburg, e o então jovem Andrew, com 15 anos, se revelou excelente mensageiro e, mais tarde, operador de telégrafo.

Apesar da falta de educação formal – foi autodidata – um chefe percebeu talentos extraordinários em Andrew e, na faixa de vinte anos, o baixinho escocês aprendeu a investir em ações.

Aos trinta ficou milionário com petróleo, ferro e aço e, quando vendeu sua siderúrgica para J.P. Morgan, se tornou o homem mais rico do mundo, com uma fortuna maior do que as de Bill Gates e Warren Buffet juntas.

O bem educado Carnegie se arvorou em campeão da paz e filosofo moral do capitalismo. Nem tudo o que ele fez foi dentro da lei ou da consciência social. Subornou e corrompeu políticos, sufocou movimentos sindicais e aumentou o horário de seus empregados de oito para 12 horas por dia, sete dias por semana.

Discutia filosofia com filósofos, e política com os presidentes americanos – enchia a paciência do Ted Roosevelt – e lideres europeus.

Escreveu seu Evangelho da Fortuna, onde explicou suas idéias e justificou os péssimos salários que pagava aos empregados.

Os ricos, argumentava Carnegie, têm obrigação de ficar cada vez mais ricos para poder devolver o dinheiro que ganharam à sociedade. Pobre não sabe administrar dinheiro.

Carnegie doou 90% da sua fortuna – em dólares de hoje, muito mais do que as doações de Bill Gates, Warren Buffet e George Soros, os campeões de caridade dos nossos tempos.

Carnegie doava de várias formas, mas a preferida era em educação e bibliotecas. Construiu quase 3 mil no país inteiro, mas não doava os livros nem pagava os bibliotecários. Pelo acordo dele com as prefeituras, estas responsabilidades eram dos contribuintes.

Ele vendia aço para várias marinhas de guerra, mas era um pacifista e, no começo da Primeira Guerra, entrou em depressão ou teve um problema que nem Nasaw, seu melhor biógrafo, sabe esclarecer.

Aos 80 anos, sadio e alerta, ele parou de falar inclusive com a própria família e seus melhores amigos. Definhou e morreu quatro anos depois.

Nestes seis anos de governo Bush, os ricos americanos ficaram muito mais ricos, a classe média deu meio passinho para frente e os pobres andaram de lado.

Esta é a época do ano em que os americanos mais doam e um momento apropriado para a biografia de Carnegie, cujo lema era "quem morre rico morre desgraçado".

Vamos abrir as munhecas de samambaia, como dizem lá em Minas.

Arquivo - Lucas
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