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Atualizado às: 24 de novembro, 2006 - 10h38 GMT (08h38 Brasília)
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Ivan Lessa: Francine Brandão
Ivan Lessa
Francine Brandão me ama. Francine Brandão beija a terra que eu piso. Francine Brandão não vive sem mim. Só muita paixão justifica tanto bilhete, tanto convite. Todo dia, lá está Francine Brandão batendo seu doce ponto na minha caixa de correspondência eletrônica.

Francine Brandão não sabe o que é distância. Francine Brandão está em São Paulo, no Brasil, e eu em Londres, no Reino Unido. Francine Brandão pouco se importa. Francine Brandão me inunda todo santo dia (minto, acho que fim de semana não) com os mais diversos convites. Francine Brandão quer porque quer minha companhia.

Francine Brandão não acredita em distâncias. Francine Brandão não aceita meu silêncio. Francine Brandão não reconhece meu não-comparecimento a todos os eventos em que ela espera me ver, contar comigo, fazer sabe Deus o que com este pobre deste velho expatriado estropiado.

Francine Brandão deseja meu corpo? Francine Brandão se apaixonou por meu espírito? Francine Brandão bateu em porta errada, ou, mais precisamente, emailou mal, muito mal.

Francine sem véus

Francine Brandão é assessora de comunicação, a segunda profissão mais comum no Brasil eletrônico. Francine Brandão, por um mistério inexplicável, ou canalhice de um inimigo, obteve meu endereço eletrônico pessoal.

Como faz parte de sua profissão, digitou alguma tecla da vida e passei a ser mais um objeto e alvo em seu dia-a-dia agitado, onde viver não é mais que comparecer à estréia de filmes chatos, peças chatas, lançamentos de livros chatos, concertos de gente chata, palestras de chatos – chatices, chatices, chatices.

Deve dar um dinheirão a profissão de assessoria de comunicação. É só bater umas linhas no computador, “acessar” (como devem dizer) o auto-corretor gramatical e ortográfico, dar mais uma imprensada (lato sensu) numa tecla e pronto: como num passe de mágica, como dizem as pessoas insuportavelmente chatas, a função assessorial foi cumprida. Pouco importa se foi importunar gente a 9 mil quilômetros de distância ou pessoas absolutamente desinteressadas do que se passa com as chatices de um Brasil já chato pela própria natureza.

O negócio é faturar. Será que os clientes de Francine Brandão sabem da perda de tempo que ela ocasiona? Do número de pessoas que ela aliena? Saberão da má vontade que Francine Brandão gera e distribui, como aqueles chatos nas ruas tacando volante na mão dos passantes? Saberão ainda que Francine Brandão não tem nem de organização digna do nome, nem do mínimo de critério? Espero que alguém os informe.

A presuntada

Francine Brandão é apenas uma das pessoas responsáveis pelo fenômeno mundial do “spam”, esse inferno informático a qual todo internauta está sujeito. Pesquisas recentes dão como 7 bilhões o número de “spams” enviados diariamente pelo mundo afora.

De cada 10 emails, 9 são “spam”. Muitos deles não originados pela Francine Brandão – essa é meu inferno particular. Os bem-informatizados dizem que os números tendem a crescer.

Pequeno parágrafo possivelmente tão desnecessário quanto a Francine Brandão: “spam” vem de um esquete dos Monty Python em que acaba todo mundo endoidecido repetidamente seguidamente a palavra “spam”.

Por quê “spam”? Porque durante a segunda guerra mundial, com o brutal racionamento, os britânicos só tinham em fartura o spam”. Palavra e lata de comida de origem americana, metade “spice” (tempero), metade “ham” (presunto): “spiced ham”. Quer dizer, nossa presuntada. Cortada em fatias, condimentada com cravo e mel, e cozinhada no forno, eu gosto.

Não gosto é da Francine Brandão. Essa sim poderiam cortar em fatias e mandar para o forno. Francine Brandão que, num único dia de novembro, me mandou 13 “spams”, driblando meu filtro e marcando um de seus muitos tentos contra minha saúde mental. Parabéns, Francine Brandão.

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