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Invasão bárbara | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Semana passada, os jornais noticiaram, com destaque, o fato de que mais de 500 mil estrangeiros chegaram a esta ilha e que uns 200 mil cidadãos britânicos a deixaram, rumo principalmente à Espanha, França e Austrália. Justiça faço: não notei uma ponta de xenofobia contra os indianos, paquistaneses e bengaleses que estão refazendo, ou mesmo começando a fazer, suas vidas por cá. Vêm aí novos restaurantes, uns razoáveis e, com sorte, talvez até bons. As lojinhas da esquina ficarão abertas até mais tarde e todos poderão quebrar um galho a desoras. Lamento é que o grosso dessa leva migratória não manja coisa alguma de futebol. Podem me chamar até de racista, que eu já ouvi coisa pior, mas é inegável o fato de que essas nacionalidades que chegam, em matéria de balípodo, são todos pernas de pau. Pena. O que o futebol britânico, principalmente o inglês (e se você aí não entende a diferença, não ganharia o visto de permanência no Reino Unido) lucrou com a chegada de outras nacionalidades, até há alguns anos alienígenas para eles, não está em nenhuma das dezenas de revistas e gordos suplementos esportivos dos jornais. Um esporte branco e azedo Da vez primeira que aqui cheguei, em 1968, nos principais times não havia um único estrangeiro. Não havia negros também. Fui a um ou dois jogos, lá pelas bandas do bairro sempre em moda, o Chelsea, ver a equipe de nome idêntico “jogar” (e minhas aspas são de implicância, sim, senhor). O Chelsea era a equipe pela qual os brasileiros, meus colegas, por motivos que nunca me ficaram claro, torciam. Afirmaram-me que era o Botafogo local, meu time no Brasil, no Rio. Vi, prestei muita atenção, feito o papagaio da anedota, e, serenamente, resolvi dedicar meu tempo passivo de lazer esportivo ao críquete apenas, que, no meu entender, e o tempo se encarregou de comprovar, melhor corresponde ao clima reinante nestas terras. A grande mudança De repente, quase sem notar, já que não acompanhava o “pobre esporte bretão”, tal como gosto de chamá-lo, as coisas mudaram. Principalmente por volta aqui de Londres, onde estão sediados os “grandes” (tomem aspas, seus chatos!) rivais Arsenal e Chelsea. Andei googlando e vejam só o que encontrei para o embate entre os dois “teams”: foi em 1933, por um dos 35 (é o que me parece) campeonatos locais, o FA Cup. O Chelsea deu de 2 a 0 no Arsenal. Na súmula, lá estão os nomes dos “players”: Cunningham, Bird, Bennett, Reed, Leslie, Salt, Coward, Ball, Alsop, Sheppard e Lee. 50 anos depois, em 1983, continuava tudo branquela e anglo-saxão. O Poom estrangeiro Agora é só abrir o jornal, ligar a televisão ou bater na ferramenta de busca. No Arsenal, não há um único inglês. Vez por outra, conseguem escalar três britânicos. Suspensão ou contusão entre os titulares. Os nomes da turma contam a história: desde o técnico francês Arsène Wenger, ao resto da turma. Segurem aí, ou tentem uma marcação homem a homem: Lehman, Almunia, Mart Poom, Etame Lauren, Kolo Touré, Phillipe Senderos, Emanuel Eboue, Cesc Fabregas, Gilberto Silva, Denílson, Thierry Henry, Adebayor e por aí afora, no miolo, laterais e pontas. No Chelsea, mesma coisa. O técnico é o português José Mourinho, que tem para escalar a seguinte gente boa: Cech, Cudicini, Ma-Kalambay, Del Horno, Ricardo Carvalho, William Gallas (atenção. Pronuncie Gallás; é francês), Paulo Ferreira, Makelele, Essien, Arjen Robben, Lassana Diara, Hernan Crespo, Didier Drogba, Eidur Gudjohnsen. O Chelsea dá colher de chá aos britânicos. Conta com os esforços de Steven Wait, escocês, e de Joe Cole e Frank Lampard, ambos ingleses. Técnico do “scratch”? Até há pouco era sueco. Sven de sobrenome já esquecido por todos. Aí vem o tal problema: não dá, mas não dá mesmo, para escalar o pessoal que citei. Tem que, e eu sei que é chato (para torcedor ou simples espectador), ser tudo inglês mesmo. Idem para Irlanda do Norte, Escócia, País de Gales e outras seleções igualmente desinteressantes e tediosas. |
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