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Atualizado às: 15 de setembro, 2006 - 09h16 GMT (06h16 Brasília)
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Ivan Lessa: A guerra contra o terror
Ivan Lessa
Foi uma boa semana para a guerra contra o terrror. Hinos foram cantados, nomes ditos com comoção, bandeiras agitadas – e números dados pelos órgãos de informação mais avançados.

Parece que nós, ocidentais, estamos ganhando a tal guerra. Vamos ver esses números. Mas a seco não vale. Eles exigem nossa imaginação. Tentar visualizar tudo quanto é morto em tudo quanto é lugar do mundo. Homens, mulheres e crianças. Não esquecendo dos feridos, que esses nem dá para contar, ou pelo menos enumerar. São cinco anos de ataques. Cinco anos de mortes. Quantos morreram? Como morreram é a parte mais melindrosa. Eu, você, nós todos, temos que imaginar.

A guerra contra o terror (calculada em US$ 2 trilhões para os Estados Unidos apenas, em sua guerra contra o terror iraquiano) começou na manhã de 11 de setembro de 2001 nas torres gêmeas do World Trade Center e no Pentágono, em Washington: 2.973 mortos.

No Iraque, onde foram catar as armas de destruição em massa, que, estranhamente nunca existiram, já morreram, oficialmente, 49.207, sendo que 2.667 americanos, 118 britânicos, 46.307 iraquianos e, de outras nações, 115. Há uma celeuma aí, organizações liberais contam como entre 100 e 150 mil iraquianos mortos, valendo mulher, velho, criança, soldado, civil, seja lá o que for.

No Afeganistão, sempre desde o 11 de setembro (essa história de 9/11 cansa e não faz parte do espírito de nossa língua), 225 americanos, 40 britânicos e 17 mil entre afegãos e “vários”, por assim dizer.

Em Israel e na Palestina, se é que essa última existe mesmo, apesar de comparecer com mortos e feridos, foram-se 3.329 palestinos, 583 civis israelenses, 289 militares e, entre outros, 53.

Na Somália, foram 4.450. Maiores detalhes não são adiantados.

Indonésia? 10.492. Mas aí entram os diversos grupos separatistas e o terror, como quer George Bush Jr., é outra coisa. Que outra coisa não ficou claro, uma vez que os acadêmicos não acreditam na possibilidade de se declarar ou disputar uma guerra contra uma “estratégia”, já que isso é que é o terror, uma estratégia. Dizem lá eles, os acadêmicos.

Nas Filipinas também há separatismo. Não é o terror de “ground zero” mas conta: 2.353. Na Chechênia, também o separatismo mas, graças aos esforços do vigoroso presidente Putin, trata-se de separatismo com terror, feito um sundae pavoroso. Resultado desde o 11 de setembro: 12.479.

O Líbano, até outro dia mesmo nas primeiras páginas, graças a seu terror contra Israel, rendeu 1.347 mortos, sendo que 1.187 libaneses, 160 israelenses, dos quais 43 militares e 117 civis.

Ficam faltando, e eu não vou enumerar, já que falta-me o estômago, a Turquia, o Irã, Paquistão, Índia, Arábia Saudita, Egito, Jordão e Sudão.

Neste ano, não entraram o Vidigal e a Rocinha. Sua inclusão para 2007 está sendo estudada pelas devidas autoridades e sumidades.

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