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Ivan Lessa: Superstições | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Toque-toque, pé de pato mangalô treis veis. Gato preto. Passar debaixo de escada. Trevo de quatro folhas. Fazer figa. Todas essas são superstições nossas. Sim, basta googlar para dar com algumas mais pitorescas. Por exemplo: só cortar as unhas na sexta-feira, que em outros dias faz mal. Tomar banho depois de cortar o cabelo dá congestão cerebral. Um estudo sério dessas coisas nunca foi feito. Algumas, a lógica e o bom senso explicam. Feito não passar debaixo de uma escada. Essa é mole: alguém pode estar trabalhando lá em cima e deixar alguma coisa na cabeça da gente, uai! O resto é pura adivinhação. Há quem tenha uma explicação para tudo. Agora um tratado sério, ou metido a sério, enumerando e dando origem, esse não tem. Ou não tinha, até agora. Para essas coisas, e outras bizarrias, aí estão os britânicos. A Universidade de Bristol em pesquisa que vai acabar virando livro, como tudo que mexe com a imaginação popular, alega ter chegado à conclusão de que a mente humana se presta naturalmente à superstição. Por quê? Porque nós, pobres e tolos mortais, não conseguimos viver sem uma explicação para tudo. A mente humana, segundo os pesquisadores da Universidade, não suporta um vazio em sua capacidade de compreender as coisas. Feito a natureza, que não suporta um vácuo. O irracional à solta Hum. Tenho minhas dúvidas. Ninguém conseguiu, até agora, explicar direito (ou mesmo esquerdo) a questão do Oriente Médio ou o que é que houve com a seleção do Brasil no último Mundial. Mesmo assim, não culpo gatos de qualquer cor ou folhinhas de planta alguma. Eu não faço outra coisa na vida a não ser suportar minha incapacidade de compreender as coisas, inclusive, e principalmente, como e porquê a natureza não suporta um vácuo. De qualquer forma, enumero a seguir algumas das superstições recolhidas por estas ilhas que se acreditam no século 21. Segurem aí e confiram. Tenho a certeza que muitas delas vão esbarrar, ou dar de cara, com alguma superstição particular a, digamos, a cidade de Crato, no Ceará, para citar um exemplo que, quero crer, não passa também de absurda superstição. Segurem aí, não se mexam, que eu vou mandar bala. * O cônjuge que for o primeiro a ferrar no sono no decorrer da noite de núpcias será o primeiro a morrer. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Ivan Lessa: O fim da gravata08 setembro, 2006 | BBC Report Ivan Lessa: Loura ambição06 setembro, 2006 | BBC Report Ivan Lessa: Juventude perdida04 setembro, 2006 | BBC Report Ivan Lessa: Lugar só em pé01 setembro, 2006 | BBC Report Ivan Lessa: Voltar30 agosto, 2006 | BBC Report Ivan Lessa: Férias24 julho, 2006 | BBC Report Ivan Lessa: Calor21 julho, 2006 | BBC Report Ivan Lessa: A grama debaixo, o céu acima19 julho, 2006 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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