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Novos combates diminuem chances de cessar-fogo

Soldados israelenses no sul do Líbano
Israel quer criar 'zona de segurança' no sul do Líbano
É quase como se as coisas estivessem de volta à estaca zero - o Exército israelense está avançando no sul do Líbano, a Força Aérea voltou a atacar, o Hezbollah não foi vencido e a diplomacia é duvidosa.

Ainda assim, há pouquíssimo tempo, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, dizia, ao deixar Jerusalém, que esperava que uma resolução por um cessar-fogo fosse aprovada pelo Conselho de Segurança até o fim da semana.

Aí veio o forte discurso do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, feito no norte de Israel - região sob ataque de foguetes desde o início do conflito.

Usando frases que lembram Churchill - "dor, lágrimas e sangue" - ele deixou claro que não haveria cessar-fogo nos próximos dias.

Parece que a determinação de Israel havia sido subestimada.

Também parece que Olmert havia, ele mesmo, subestimado o temperamento do povo e dos militares.

Tanto a perspectiva do fim dos combates antes de os objetivos de Israel serem atingidos quanto o cessar-fogo aéreo parcial de 48 horas depois de Qana são motivo de preocupação.

O jornal israelense de grande circulação Yediot Ahronot afirmou: "Se Israel perder essa guerra, será impossível viver no Oriente Médio".

Ephraim Sneh, um parlamentar trabalhista e general reformado, diz: "Essa guerra não pode terminar em empate".

Um encontro tarde da noite do Gabinete de Segurança decidiu expandir a operação militar no Líbano.

'Zona de segurança'

O plano agora parece ser que Israel vai tentar criar a chamada "zona de segurança" (os libaneses a chamariam de zona ocupada), que ficaria sob seu domínio até a chegada de uma força internacional. Isso poderia levar semanas.

O tamanho dessa zona não está decidido. Alguns israelenses falam de 8 quilômetros; outros dizem que ela deve ir até o rio Litani, cerca de 30 quilômetros ao norte da fronteira (apesar de ser bem mais perto no leste por causa de uma curva para o norte na fronteira).

Mas com os combates ainda intensos nas cidades próximas à fronteira, chegar até o rio Litani em toda a sua extensão exigiria força considerável.

Dentro da "zona", Israel pretende acabar com posições e militantes do Hezbollah. Grupos de direitos humanos temem que o país também esteja exterminando civis, o que teria conseqüências perigosas.

A organização Human Rights Watch disse na segunda que Israel estava criando uma "zona de tiro" no sul do Líbano.

Um observador afirmou: "Ao menos, parece que estamos tendo uma noção melhor das intenções de Israel agora. Parece que o que eles querem é criar essa zona e então esperar que as forças internacionais venham".

Isso certamente está longe do plano original de destruir o Hezbollah. E se Israel ocupar território libanês por algum tempo, corre o risco de se atolar numa guerra de guerrilha.

Na verdade, tal é a confusão nos acampamentos israelenses que o melhor comentarista militar de Israel, Ze'ev Schiff, do jornal Haaretz, concluiu que "a administração da guerra foi incompetente".

Ele sublinha que os confrontos já duraram quase o mesmo tempo que a guerra do Yom Kippur em 1973.

Quanto tempo vai durar? O ministro Binyamin Ben-Eliezer disse: "Aproximadamente entre 10 dias e duas semanas".

Ele também afirmou que Israel não sairia do Líbano até que os dois soldados capturados sejam libertados.

Interpretação errada?

Será que Condoleezza Rice não interpretou de forma errada os sinais de Israel, que parece mais comprometido com o conflito do que alguns otimistas acreditavam?

Alguns ainda acreditam que o Conselho de Segurança de fato passará a resolução em breve e que Israel vai ter de aceitá-la.

Muito depende da posição a ser adotada pelos Estados Unidos, mas Condoleezza Rice está numa posição difícil.

Ela, de fato, fez a promessa sobre a resolução, mas o desfecho ainda é incerto.

Será que ela vai ser colocada para escanteio por um presidente Bush inabalável em seu apoio a Israel?

O episódio levanta questões sobre se Israel, e não o governo Bush, está tomando as decisões.

Muitos israelenses acreditam que há necessidade de "terminar o que foi começado". Como isso vai ser alcançado ainda não está certo.

Militares israelenses dizem ter destruído cerca de dois terços dos foguetes de longo alcance do Hezbollah (apesar de que ninguém fala de números precisos, nem eles informam como eles chegaram a essa conclusão).

Mas outro oficial diz que Israel não poderia jamais destruir todos os mísseis do Hezbollah por ar. Logo, as expectativas podem ter diminuído.

Também é provável que haja um intervalo entre o controle da "zona" por Israel e a chegada da força internacional.

Esse envio de tropas pode levar tempo. Enredar os militares com diplomacia será complexo. E é crucial que o Hezbollah seja consultado.

Em 1983, militares americanos e franceses foram atacados por homens-bomba em Beirute.

As tropas estavam lá como parte de uma "força de paz" internacional para fazer a transição de uma outra fase dos problemas do Líbano.

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