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Atualizado às: 28 de julho, 2006 - 18h02 GMT (15h02 Brasília)
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Análise: Para Israel, atingir objetivos é mais difícil que em 82

Hezbollah
A Síria disse que se dispõe a usar sua influência sobre o Hezbollah
Quando Israel invadiu o Líbano em 1982, o pretexto inicial – refletido no codenome dado à operação, Paz para a Galiléia – era expulsar os grupos armados da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) para uma distância de 40 quilômetros da fronteira, impedindo ataques ao norte de Israel.

O objetivo se parece com o da ofensiva atual, já que os mísseis do Hezbollah continuam a cair sobre as cidades no norte israelense.

No entanto, os verdadeiros objetivos do então ministro da Justiça, Ariel Sharon, em 1982, foram expostos rapidamente, à medida que as forças israelenses se aproximaram de Beirute e acabaram cercando uma cidade árabe pela primeira vez.

Tratava-se de algo muito mais ambicioso: decapitar o movimento palestino, destruindo a OLP, expulsar as tropas sírias do Líbano e instaurar um governo que tivesse vontade de negociar a paz com Israel.

Os israelenses não conseguiram destruir a OLP, mas tiveram êxito no objetivo de expulsá-la do Líbano. Yasser Arafat e seus militantes foram obrigados a fugir de navio para Túnis.

Aliança estratégica

Mesmo essa vitória foi de certa forma fantasiosa, já que Arafat acabou voltando à terra natal e morreu como presidente da Autoridade Palestina.

Os outros objetivos israelenses foram frustrados por uma aliança de dois inimigos estratégicos: a Síria e o Irã.

Em 1982, a maioria da comunidade xiita do Líbano – cansada de ter que pagar o preço da guerrilha palestina contra Israel – inicialmente aceitou a intervenção israelense.

No entanto, o ressentimento crescente com a longa ocupação de Israel serviu como um terreno fértil para o Irã e a Síria incentivarem a formação de um grupo que se provaria tão letal quanto eficiente no objetivo de expulsar os israelenses: o Hezbollah, que não existia antes da invasão.

Usando ataques de homens-bomba e outras táticas de guerrilha, o Hezbollah se associou a outros grupos apoiados pela Síria para expulsar Israel e a força multinacional, que assumira o controle de parte do Líbano após a invasão israelense.

A força multinacional, liderada pelos Estados Unidos e engrossada por soldados franceses, italianos e britânicos, abandonou o território em 1983, ao se ver debaixo do fogo de milícias e sofrendo altas baixas – em apenas um ataque suicida, os americanos perderam 241 soldados.

Expulsar Israel demorou mais tempo. Apenas em 2000, os últimos soldados israelenses deixaram a zona de segurança formada na fronteira do lado libanês. O Hezbollah avançou sobre a região sem obstáculos.

Diferenças

Agora, com a provocação da morte de oito soldados israelenses e a captura de dois, a história parece estar se repetindo, mas com algumas diferenças.

Israel lançou um violento ataque ao Líbano com ambições flexíveis e amplas, em parte, associadas à chamada "guerra contra o terror" dos Estados Unidos.

No entanto, por mais que tente, não vai conseguir destruir o Hezbollah, que está profundamente enraizado na maior comunidade do Líbano. Em uma aliança com o movimento xiita Amal, o grupo domina a política xiita.

Por mais que tentem, os israelenses não vão conseguir embarcar o Hezbollah em navios e despachá-los para Túnis, como fez com a OLP.

Israel também pode estar tentando forçar o governo libanês a tomar providências contra o Hezbollah. Mas isso também não deve funcionar, já que a milícia é bem armada e altamente motivada – como Israel pôde testemunhar a um preço alto tanto agora quanto antes de recuar do Líbano, em 2000.

O Exército libanês também conta com muitos xiitas que, caso fossem enviados a uma campanha contra o Hezbollah, deixariam o efetivo em frangalhos, como aconteceu nas décadas de 70 e 80, aumentando o risco de uma guerra civil contra o resto do país.

Hamas

Já os Estados Unidos acabaram caindo em uma contradição ao não se pronunciar contra a violenta ofensiva israelense contra o Líbano, já que apóiam o governo eleito, anti-Síria, de Fuad Siniora, que está sendo visivelmente enfraquecido pelo ataque contra alvos libaneses.

A estratégia é parecida com a que acabou levando o Hamas ao poder nos territórios palestinos. Israel exigiu que Yasser Arafat e, mais tarde, a Autoridade Palestina se voltassem contra o Hamas e outros grupos radicais, o que acabou fortalecendo o grupo militante.

Entre as opções do governo de Israel estão as tentativas de assassinato do líder do Hezbollah, o xeque Hassan Nasrallah, mas há poucas garantias de que isso faria alguma diferença no conflito.

O antecessor dele, Abbas Musawi, morreu em um ataque de helicóptero contra o carro em que viajava em uma região remota no sul do Líbano em 1992. O assassinato fez pouca diferença para Israel.

Os líderes do Hezbollah afirmam que usaram apenas uma pequena fração do seu arsenal até agora. E, na última mensagem gravada divulgada pelo grupo, eles prometem aumentar o alcance dos seus ataques com mísseis, chegando à cidade de Haifa e além.

Até o momento, as promessas do Hezbollah foram cumpridas.

Cinturão perigoso

Por outro lado, Israel continua a sua estratégia de formar um cinturão de segurança ao redor do Líbano, uma idéia que já teve conseqüências infelizes para Israel entre 1978 até a retirada em 2000.

Para isso, as forças israelenses iniciaram uma arriscada invasão por terra.

Poucos acreditam que, caso os israelenses realmente atinjam o seu objetivo, o cinturão poderá ser formado em menos de várias semanas de confrontos violentos, ao custo de muitas dezenas de vidas isralelenses. E mesmo assim, o que fazer depois disso?

O governo israelense sugeriu que entregaria a região ao controle de uma tropa internacional robusta ou do Exército libanês.

Uma força de paz, sem paz para manter? Se não houver uma trégua politicamente acertada, que país se arriscaria a aceitar a tarefa?

É mais provável que os próprios israelenses fiquem com o controle da região. Só que uma presença contínua serviria claramente como um imã para novos ataques do Hezbollah e talvez de outros grupos palestinos, além de alimentar a própria razão de ser do grupo, como resistência. Mais uma repetição da história.

* Jim Muir é especializado na situação da região desde a primeira crise no Líbano, em 1975, e está cobrindo o conflito atual de Tiro.

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