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Atualizado às: 25 de julho, 2006 - 22h08 GMT (19h08 Brasília)
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ONGs temem por segurança de seus funcionários no Líbano

Mahmoud Haidar
Mahmoud Haidar disse que quer 'ir para Israel matar judeus'
Os apelos para o envio de ajuda humanitária para o Líbano começam a ter efeito e recursos e suprimentos podem começar a chegar ao país, mas ONGs que atuam nesta área dizem que isso não significa que os mais necessitados vão ser atendidos.

“É muito frustrante para nós e para outras agências que trabalham no Líbano não ter um caminho seguro para levar ajuda humanitária para a população mais necessitada. Não vai adiantar nada os suprimentos chegarem ao país e ficarem aprodrecendo no porto”, diz a coordenadora da ONG Mercy Corps, Cassandra Nelson.

Os israelenses já concordaram em permitir a entrada de carregamentos de produtos essenciais para atender refugiados e vítimas do conflito no Líbano, mas ainda não aceitam a criação de um “corredor humanitário” que permita o transporte seguro destes produtos para as áreas mais afetadas, principalmente o sul do Líbano.

“Nós (das ONG e agências de ajuda humanitária) não podemos brincar de caubóis e entrar de qualquer jeito nas áreas sob ataque. Se algum funcionário de uma destas agências morrer, a conseqüência seria uma paralisação de todos os trabalhos, como já vimos acontecer em outros lugares”, disse Nelson.

As entregas de comida, remédios e artigos de higiene por hora são feitas apenas para aquelas pessoas que fugiram das áreas mais arriscadas – de 500 mil a 800 mil pessoas, segundo diferentes estimativas - e estão em regiões relativamente seguras, principalmente na capital, Beirute.

Entrega

A ONG Mercy Corps fez nesta terça-feira uma entrega de alimentos para famílias que saíram do sul do Líbano e dormem agora em uma escola nas Montanhas Chouf, ao lado da capital libanesa.

As caixas levadas pela entidade contém óleo, macarrão, atum, arroz, feijão, farinha, óleo e chá e cada uma deve ser suficiente para alimentar uma família de dez pessoas por dez dias.

“Estamos entregando aqui caixas para 50 famílias hoje”, disse Christopher Bolitz, um dos funicionártos da ONG.

Os refugiados têm que pegar suas senhas quando o caminhão chega e depois entram numa fila para recolher seus suprimentos.

Hizbollah

Os ataques a Israel e aos Estados Unidos e o apoio ao Hizbollah são praticamente consensuais na escola.

“Amamos o Hizbollah. Eles nos ajudam e tenho certeza de que vão derrotar Israel”, disse a jovem Ghadia.

Quando o caminhão com ajuda humanitária chegou, ela estava escrevendo em árabe num grande cartaz: “Todos os nossos problemas vem dos Estados Unidos e de Israel. Hezbollah”. Ao ver os estrangeiros, ela escreveu a mesma frase em inglês.

Ghadia contou que o grupo militante tem enviado ajuda para os refugiados através de “apoiadores” na região mas disse não saber de mais nenhum detalhe sobre como estes alimentos estavam chegando.

O menino Mahmoud Haidar – de 12 anos – disse, com um sorriso, que queria “ir para Israel matar judeus” enquanto exibia uma foto do líder do Hezbollah numa mão e fazia o "V" da vitória com a outra.

Ele está morando há dez dias em uma sala de aula com a família depois que eles fugiram dos bombardeios israelenses no sul do país.

Ocidente

Mas o Christopher Bolitz diz que ele e outros funcionários ocidentais de agências humanitárias não sentem nenhuma hostilidade dos libaneses quando estão trabalhando por aqui.

“Nós estamos trazendo ajuda e todo mundo aceita. Nós somos uma organização internacional, e não representantes do Ocidente ou de qualquer país”, diz.

A Mercy Corps nasceu nos Estados Unidos mas têm hoje três sedes: no Estado americano do Oregon, na Escócia e em Hong Kong.

Mas a maior parte dos fundos para a entidades vêm do governo americano através a Agência Internacional de Ajuda e Desenvolvimento dos Estados Unidos (Usaid, na sigla em inglês).

Chris diz que, por enquanto, comida ainda não é problema para os refugiados que estão em Beirute, mas que as pessoas estão vivendo em péssimas condições.

“Aqui nesta escola as famílias estão dormindo no chão, em colchões finos, e temos relatos do aparecimento de doenças de pele”, conta.

Bombardeios

Ainda assim, para a maioria é melhor do que estar no sul do país, temendo bombardeios de Israel.

“A situação lá é terrível. Está impossível de ficar no sul”, contou um canadense de origem libanesa que estava passando férias com a família aqui quando começou o conflito.

Ele conta que primeiro eles saíram do sul do Líbano para o sul de Beirute.

“Mas aí começaram os ataques também na capital e temos agora que viver como refugiados aqui”.

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