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Atualizado às: 30 de julho, 2006 - 14h32 GMT (11h32 Brasília)
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Ataque de Israel mata 54 civis no Líbano
Área bombardeada em Qana, Líbano.
Qana fica no sul do Líbano, próximo a Tiro.
Num violento ataque israelense neste domingo, mais de 54 pessoas foram mortas na cidade de Qana, no sul do Líbano. Pelo menos 34 das vítimas são crianças.

Famílias de desabrigados estavam se refugiando no porão de um prédio de três andares que foi destruído no bombardeio. Dezenas de pessoas podem estar presas nos escombros.

O Exército de Israel afirmou que a milícia xiita Hezbollah usava a área para lançar mísseis e que havia avisado que civis deviam deixar a região.

Mas o correspondente da BBC no sul do Líbano Jim Muir afirma que muitas pessoas tinham medo de deixar o local por causa dos ataques nas estradas, enquanto outros não tinham condições de fazer a viagem.

O Hezbollah respondeu ao ataque lançando mais foguetes contra o norte de Israel neste domingo.

A cidade de Kiryat Shemona foi a mais atingida e teve vários residentes feridos no que foi descrito como o pior dia até agora na região.

Protestos

Soldados libaneses estão protegendo a sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Beirute, depois que mais de mil manifestantes se reuniram diante do prédio para protestar contra o ataque a Qana.

A multidão, que chegou ao local de diferentes partes da cidade, invadiu as dependências do prédio da ONU, derrubou cercas e portas e queimou bandeiras de Israel e dos Estados Unidos.

Os manifestantes gritavam palavras de ordem pró-Hezbollah e anti-Israel, além de afirmar que queriam “Beirute livre”.

Antecedentes

A cidade libanesa de Qana ficou tristemente famosa em 1996 depois que Israel atacou uma base da força de paz da ONU. Mais de 100 civis que se abrigavam na base foram mortos,

A operação militar “Vinhas da Ira”, uma blitz de 16 dias contra o Líbano, visava encerrar bombardeios do Hezbollah no norte de Israel.

A repercussão internacional foi grande e Israel suspendeu a operação, trazendo um acordo que originou um cessar-fogo que baniu ataques a civis.

Fronteira

Outro ataque aéreo israelense no sábado fechou o principal posto de fronteira entre o Líbano e a Síria.

As bombas teriam destruído a estrada – do lado libanês – entre os prédios da imigração dos dois países.

Israel acusa a Síria, ao lado do Irã, de apoiar a milícia do Hezbollah, que no dia 12 deste mês capturou dois soldados israelenses em uma ação que deixou outros oito soldados mortos e iniciou o conflito que já dura 19 dias.

O ataque aéreo foi um entre dezenas de bombardeios que ocorreram no fim de semana. No mais violento, uma mulher e seis crianças morreram no vilarejo de Nmeiriya, no sul do Líbano.

De acordo com o Ministério da Saúde do Líbano, mais de 750 pessoas - em sua maioria civis - morreram em ataques de Israel desde o início dos confrontos. Do lado isralense, morreram pelo menos 51 pessoas, sendo 18 civis.

Segundo as Nações Unidas, ao menos 30% dos mortos no Líbano são crianças.

Retirada

O Exército de Israel disse, no sábado, ter saído da cidade libanesa de Bint Jbeil, cena da pior batalha desde o início da ofensiva contra o Hezbollah.

Os israelenses tentaram dominar o local por vários dias e perderam oito soldados em um único combate com os militantes xiitas.

A cidade continua sob bombardeios aéreos e ataques de artilharia, e o Exército israelense diz que pode voltar ao local a qualquer momento.

Israel tem afirmado – e reforçou a mensagem neste sábado – que já provocou grandes perdas de armas e homens da milícia radical, dizendo ter matado 26 militantes em combates recentes e mais de 250 militantes ao todo – o grupo admite a morte de cerca de 30 homens.

Em entrevista a redes de TV árabes, o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, afirmou que Israel sofreu sérias derrotas no sul do Líbano e que havia ficado claro que os israelenses não conseguiriam alcançar uma vitória militar.

Nasrallah disse ainda que a secretária de Estado americana, Condoleeza Rice, estava voltando à região para impor condições ao Líbano e servir Israel.

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