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Atualizado às: 08 de março, 2006 - 02h28 GMT (23h28 Brasília)
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Prefeito de Buenos Aires perde cargo por incêndio

Corpos das vítimas do incêndio na casa noturna de Buenos Aires
Corpos das vítimas do incêndio na casa noturna de Buenos Aires
Por dez votos a quatro, o prefeito de Buenos Aires, Aníbal Ibarra, perdeu o cargo nesta terça-feira, no primeiro impeachment na história da capital da Argentina.

Em cerca de quatro horas, os legisladores da chamada “sala de julgamento”, da Câmara de Vereadores, o responsabilizaram pela morte de 194 pessoas, durante incêndio na discoteca República de Cromagnon, no dia 30 de dezembro de 2004.

Naquela noite, a discoteca superlotada pegou fogo, e as saídas de emergência estavam trancadas.

A medida tinha sido adotada para evitar, segundo sobreviventes, a entrada de quem não quisesse pagar para ver o show do grupo de rock argentino “Los Callejeros”.

O agora ex-prefeito era acusado, por exemplo, de permitir o funcionamento de um lugar que não teria condições para ser discoteca.

Comemoração

Logo após o resultado, familiares das vítimas, às lágrimas, comemoraram o resultado, com abraços e erguendo fotos dos que morreram naquela tragédia – a maioria com cerca ou menos de 21 anos, de acordo com dados do Instituto Médico Legal de Buenos Aires.

“Nós temos que comemorar, mas, infelizmente, essa destituição não traz nossos filhos de volta”, disse o advogado José Iglesias, pai de uma das vítimas e um dos que mais defenderam o impeachment.

“É só o início. Nós também queremos condenação para policiais, bombeiros e empresários corruptos que permitiram essa tragédia”, completou outro familiar.

Com olheiras, abatido e calado, Aníbal Ibarra deixou o local, acompanhado por seu advogado, Julio Strassera, conhecido por sua participação nas votações em defesa dos direitos humanos contra a ditadura argentina (1976-1983).

Ibarra tinha sido reeleito havia quase três anos, com apoio decisivo do presidente Néstor Kirchner. Agora, caberá a seu então vice-chefe de governo (equivalente a vice-prefeito) da cidade autônoma de Buenos Aires (chamada assim por ser cidade e capital federal), Jorge Telerman, concluir o mandato até dezembro do ano que vem.

'Frito'

“Estou frito”, teria dito Ibarra ao entrar na Câmara, minutos antes do início da votação, segundo a imprensa argentina.

Pouco depois da votação, sob aplausos de empregados públicos, ele disse diante das câmeras de TV: “Sou vítima de um golpe institucional. Mas não terei nenhum sentimento de rancor”.

A decisão dos legisladores não poderá ser alvo de recursos, de acordo com os promotores do caso.

“Votei pelo impechmeant porque pensei nos meus filhos. Ir a uma boate e cair numa armadilha fatal, é terrível”, justificou o legislador Hélio Rebot, do “Frente para a Vitória”, partido de Kirchner e que até recentemente era contra a destituição de Ibarra.

O ex-prefeito tinha sido suspenso do cargo, em novembro do ano passado, numa votação realizada pela mesma “sala de julgamento” da Câmara.

A partir daquele momento, passaram a ser realizadas manifestações, quase diárias, pelas ruas da cidade, contra e a favor do impeachment.

Ibarra teve apoio até das Mães e Avós da Praça de Maio, símbolos dos que morreram na ditadura, além do presidente Kirchner e da primeira-dama e senadora Cristina Fernández de Kirchner.

O resultado desta terça-feira era esperado por alguns analistas, mas outros duvidavam.

Paralelo ao processo político, concluído nesta terça-feira, a justiça já tinha determinado a prisão do dono daquela discoteca, Omar Chaban, dos responsáveis pela segurança do grupo “Los Callejeros” e de policiais acusados de receber propinas para permitir o funcionamento da discoteca, mesmo sem as condições necessárias.

O grupo de rock, aliás, não voltou a tocar desde aquela noite, acusado por estimular o lançamento de fogos de artifício dentro da boate, o que teria provocado o incêndio.

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