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Atualizado às: 15 de novembro, 2005 - 00h25 GMT (22h25 Brasília)
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Processo por incêndio em boate afasta prefeito de Buenos Aires

(Foto - Arquivo) Protesto de familiares no início do ano
Tragédia causou revolta e comoção em Buenos Aires
A Legislatura de Buenos Aires aprovou nesta segunda-feira o início do processo político contra o prefeito da cidade, Aníbal Ibarra, por sua suposta responsabilidade na morte de 194 pessoas no incêndio na boate Republica de Cromañon, no bairro do Onze, na noite de 31 de dezembro do ano passado.

O processo obriga Ibarra – que é acusado de má administração – a sair temporariamente do cargo. Assim que a votação foi concluída, com os 30 votos necessários (de um total de 43) para a aprovação reunidos, familiares das vítimas choraram, gritaram e se abraçaram.

Eles fizeram plantão, desde cedo, na porta da Legislatura de Buenos Aires, erguendo fotos dos filhos nas mãos ou em cartazes, além de tênis, usados naquela noite da tragédia, e velas. A comoção foi mostrada ao vivo pelas emissoras de TV da Argentina.

“É só o início da nossa batalha”, dizia uma mãe para as câmeras. “Nossos filhos nos estão ajudando”, completava outra, entre soluços.

A maioria dos mortos, naquela noite de verão, era de adolescentes. Havia ainda pais e até bebês, levados para o show e colocados numa espécie de creche improvisada no banheiro.

"Conspiração"

Quase uma hora depois da votação, o prefeito Ibarra falou à imprensa. Com os olhos inchados, abatido, ele disse ser inocente, avisou que não renunciará, que é vítima de uma “conspiração” da oposição e que vai continuar buscando a verdade sobre a “terrível tragédia” que afetou os argentinos.

Assessores do prefeito cantavam: “Aníbal no se vá, Aníbal no se vá” (“Aníbal não sai, Aníbal não sai”).

Segundo a Constituição de Buenos Aires, no lugar de Ibarra deve assumir o vice-chefe de governo Jorge Telerman. A previsão é de que o processo vai durar quatro meses e, nesse período, Ibarra não receberá salário e deverá se defender diante da comissão especial da Legislatura, chamada de “sala de acusação”, habilitada especialmente para julgá-lo.

“Eu estou suspenso, mas não condenado e não renunciarei”, insistiu Ibarra, durante seu pronunciamento. Ele foi reeleito em 2003 e teria mandato até 2007.

Como a reeleição do prefeito contou com apoio do presidente Nestor Kirchner, a discussão ganhou peso nacional e, no início da noite desta segunda-feira.

“Ibarra é apenas um dos responsáveis políticos do caso. Existem outros, mas estão tentando misturar política nacional e polícia”, disse o parlamentar Fariaz Gomez, da Frente para a Vitória.

Naquela noite, segundo a polícia, as portas de emergência da boate tinham sido trancadas para evitar a entrada dos que tentavam driblar a bilheteria. No palco estava o grupo de rock “Los Callejeros” (“Das Ruas”), que também perderam familiares na tragédia.

As investigações revelaram ainda que uma fumaça tóxica foi a causa das mortes, mesmo daqueles que tinham conseguido chegar ao hospital. Além de Ibarra, o empresário Omar Chabán, dono da boate, também está sendo submetido a processo, mas judicial.

Chabán esteve preso e quando foi solto chegou a pedir ao juiz para continaur na cadeia, temendo a perseguição dos familiares das vítimas. Atualmente, ele está numa casa, numa ilha no Tigre, município a cerca de uma hora e meia do centro de Buenos Aires, aguardando próximos passos do processo judicial.

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