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Atualizado às: 01 de janeiro, 2005 - 02h22 GMT (00h22 Brasília)
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Familiares de vítimas de incêndio fazem protesto

Vítimas do incêndio em Buenos Aires foram atendidas nas ruas
Parentes das vítimas querem justiça
Familiares e amigos das vítimas da tragédia na discoteca República Cromagnon, no bairro do Onze, distante dos pontos turísticos, nessa capital, realizaram protesto em frente ao local, no IML e na porta da Prefeitura da Cidade.

Eles pediram justiça e marcaram nova manifestação para esse domingo, ao mesmo tempo em que o prefeito de Buenos Aires, Aníbal Ibarra, determinou a suspensão, "definitiva", dos shows ao vivo nas discotecas e proibiu que elas abram as portas durante quinze dias, contados a partir desta segunda-feira, quando termina o prazo dos três dias de luto nacional.

Numa entrevista coletiva, Ibarra reiterou que essa foi a "pior tragédia nao natural", ocorrida na Argentina, superando em número de vítimas, os dois atentados registrados no país, na embaixada de Israel e na AMIA, sede judaíca, não muito longe da discoteca, e a queda de um avião da companhia Austral.

A Prefeitura de Buenos Aires e os hospitais da cidade informaram que o número de mortos aumentou para 177, mas, segundo a Polícia Federal, este total já seria de 186 mortos.

Nos hospitais ainda estão pouco mais de 250 dos 714 feridos, dos quais 39 em estado grave.

Comoção

Os dramas familiares incluem histórias como a de uma mãe, de 48 anos, que levou as duas filhas ao show do grupo Los Callejeros, na noite da última quinta-feira.

Ela ficou na andar de cima do prédio, enquanto as duas filhas, uma de 15 e outra de 16 anos, acompanhavam o espetáculo do grupo de rock em baixo.

Quando o incêndio comecou, as duas conseguiram sair imediatamente. Mas uma delas, a de 16 anos, decidiu voltar para buscar a mãe que continuava dentro do prédio.

Terminou pisoteada e está na relação dos gravemente feridos.

Histórias como essa, e a de dois jornalistas argentinos que também assistiam o show no local, deixaram a Argentina comovida.

Em Buenos Aires, as comemorações de fim de ano foram marcadas pelo episódio e poucos soltaram fogos nas ruas – como é quase tradicional no país.

Nesse sábado, um dia depois de prender o dono da discoteca República Cromagnon, Omar Chabán, a Justiça determinou a busca de seus três sócios.

Familiares passaram o dia procurando vítimas
Familiares passaram o dia procurando vítimas

Familiares

Durante toda a sexta-feira, as emissoras de rádio e de televisão divulgaram as listas dos mortos e feridos, enquanto familiares mostravam fotos de jovens que ainda não foram encontrados.

No local do incêndio, as portas da discoteca foram lacradas e o acesso interditado por policiais.

O secretário de Segurança de Buenos Aires, Juan Carlos López, disse que a grande quantidade de mortes ocorreu por falhas na segurança.

A polícia confirmou que as saídas de emergência estavam trancadas com cadeados, para evitar a entrada daqueles que queriam entrar sem pagar. Juan Carlos López afirmou ainda que a danceteria estava superlotada.

Muitos souberam do acontecimento somente depois do almoço e, à tarde, ainda corriam para o local atrás de familiares.

Na frente do estabelecimento, um carpinteiro que se identificou apenas como Abel mostrava a foto da filha, de 21 anos, para as câmeras de TV.

Em estado de choque, ele declarou apenas que sua neta, de 10 meses, que também estava ali, já havia sido encontrada, morta.

"Que fim de ano posso esperar nesta vida?", desabafava.

Um ex-militar chegou da província de Entre Rios, na fronteira com o Uruguai, em busca do filho e da nora grávida de nove meses.

Foi obrigado, como ele mesmo afirmou, aos prantos, a reconhecer os corpos.

Entre as vítimas fatais estão, segundo a gerente de marketing do grupo de rock Los Callejeros ("Os das ruas", que tocavam na hora do incêndio), Florencia Aprile, a mulher do empresário do grupo.

Ainda não houve explicação oficial para a presença de bebês e de crianças no espetáculo.

A polícia investiga denúncia de que uma creche improvisada funcionava no banheiro da discoteca.

Fogo na discoteca
Veja fotos do atendimento a feridos na Argentina.
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Incêndio em discoteca argentina deixa mortos e feridos.
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Notícias, depoimentos, vídeos e fotos sobre a catástrofe.
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