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Atualizado às: 31 de dezembro, 2004 - 21h31 GMT (19h31 Brasília)
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Após incêndio, Argentina tem luto e discotecas fechadas no Ano Novo

Vítimas do incêndio em Buenos Aires foram atendidas nas ruas
Vítimas do incêndio em Buenos Aires foram atendidas nas ruas
No último dia do ano, o governo do presidente Nestor Kirchner decretou três dias de luto nacional e o prefeito de Buenos Aires, Aníbal Ibarra, proibiu que as cerca de 200 discotecas da cidade abram as portas para as festas durante a passagem e nas próximas 72 horas.

As medidas foram tomadas devido à tragédia em uma discoteca da cidade que pegou fogo e deixou um total de 714 feridos e 175 mortos.

De acordo com a imprensa argentina, o número de vítimas fatais pode aumentar, já que 102 pessoas estão em estado grave.

Do total de mortos, 120 continuavam sem identificação, 13 horas depois do início da tragédia.

O incidente ocorreu por volta das 23 h (horário local) da quinta-feira, quando um grupo de jovens, segundo a polícia, lançou fogos de artíficio dentro da discoteca República Cromegnon, no bairro do Onze, a dez minutos do centro da cidade.

O dono do local, Omar Chabán, foi preso nesta sexta-feira.

Familiares

Durante todo o dia, as emissoras de rádio e de televisão divulgam as listas dos mortos e feridos, enquanto familiares mostravam fotos de jovens que ainda não foram encontrados.

No local do incêndio, as portas da discoteca foram lacradas e o acesso interditado por policiais.

O secretário de Segurança de Buenos Aires, Juan Carlos López, disse que a grande quantidade de mortes ocorreu por falhas na segurança.

A polícia confirmou que as saídas de emergência estavam trancadas com cadeados, para evitar a entrada daqueles que queriam entrar sem pagar. Juan Carlos López afirmou ainda que a danceteria estava superlotada.

Familiares passaram o dia procurando vítimas
Familiares passaram o dia procurando vítimas

Muitos souberam do acontecimento somente depois do almoço e, à tarde, ainda corriam para o local atrás de familiares.

Na frente do estabelecimento, um carpinteiro que se identificou apenas como Abel mostrava a foto da filha, de 21 anos, para as câmeras de TV.

Em estado de choque, ele declarou apenas que sua neta, de 10 meses, que também estava ali, já havia sido encontrada, morta.

"Que fim de ano posso esperar nesta vida?", desabafava.

Um ex-militar chegou da província de Entre Rios, na fronteira com o Uruguai, em busca do filho e da nora grávida de nove meses.

Foi obrigado, como ele mesmo afirmou, aos prantos, a reconhecer os corpos.

Entre as vítimas fatais estão, segundo a gerente de marketing do grupo de rock Los Callejeros ("Os das ruas", que tocavam na hora do incêndio), Florencia Aprile, a mulher do empresário do grupo.

Ainda não houve explicação oficial para a presença de bebês e de crianças no espetáculo.

A polícia investiga denúncia de que uma creche improvisada funcionava no banheiro da discoteca.

Fogo na discoteca
Veja fotos de corpos e do atendimento a feridos na Argentina.
Em vídeo
Incêndio em discoteca argentina deixa mortos e feridos.
Tsunami especial
Notícias, depoimentos, vídeos e fotos sobre a catástrofe.
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