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Atualizado às: 28 de fevereiro, 2006 - 08h42 GMT (05h42 Brasília)
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Lucas Mendes: Águas furadas
“Água com gás, sem gás ou água do Koch?"

Não entendi a pergunta do garçom. “Que água do Koch?”

A expressão nasceu de 70 para 80, quando a Perrier chegou a Nova York.

Desde então, a água da torneira da cidade leva o nome do prefeito. Agora bebemos a água do Bloomberg.

Além de ser de graça, a água da torneira é muito melhor do que a engarrafada, que em alguns restaurantes custa até US$ 12.

Mesmo comprado no supermercado, um litro custa duas mil vezes mais caro do que a água da torneira.

Água engarrafada é uma das enganações mais bem-sucedidas dos últimos 40 anos.

Boatos

Minas, meu Estado, é farto de águas minerais, mas elas só entravam lá em casa em ocasiões especiais.

Eram caras. Depois veio o boato de que eram radioativas e davam câncer.

Nossas maravilhosas Cambuquira e São Lourenço não podiam nem entrar nos Estados Unidos.

Não sei se não entram porque têm algum problema ou se é porque falta verba para concorrer com mais de 200 novas águas que são lançadas nos Estados Unidos todos os anos e que em 2004 faturaram US$ 9 bilhões.

Só perdem para os refrigerantes, mas não vai ser por muito tempo.

O mercado de água cresce 10% ao ano, um número recordista entre todas as bebidas.

Quarenta por cento destas águas são mesmo da torneira, mas passam por algum tratamento para efeito de promoção e são lançadas como fontes mágicas e possantes de energia.

Do ponto-de-vista de saúde são inúteis e, algumas, perigosas.

Num teste recente com 38 águas, 27 delas importadas, 14 tinham contaminações que são inaceitáveis na água do Bloomberg ou de qualquer outro prefeito americano.

E não há crime porque, por lei, a água de garrafa não precisa passar pelos mesmos testes da água da torneira, mas o maior veneno talvez não esteja na água, e sim nas garrafas de plástico feitas de petróleo.

Excelentes poluidoras, 30 milhões são jogadas por dia em lixos não reciclados.

Furada de Pelé

Na década de 70, durante uma reportagem que estava fazendo sobre Pelé no Cosmos, ele me disse que estava na dúvida sobre uma proposta que tinha acabado de receber de uma tal água Perrier, que queria contratá-lo para a campanha de lançamento nos Estados Unidos.

Ofereciam até uma participação nos lucros.

Como se tratava de uma novidade, Pelé decidiu não correr o risco.

Este negócio de água com bolha, disse ele, pode estragar minha imagem.

Orson Welles, que não era muito chegado ao agadoisoh, entrou nas águas da Perrier.

Foi uma das grandes furadas comerciais do nosso maior craque.

De 76 a 79, as vendas de Perrier cresceram 3.000%.

Pelé não precisaria dar um chute pelo resto da vida.

Arquivo - Lucas
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