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Atualizado às: 26 de janeiro, 2006 - 14h22 GMT (12h22 Brasília)
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Serviço infame
Craig Claiborne foi o maior crítico culinário do jornal The New York Times. Publicou sete livros, mas seu jantar mais famoso e controvertido foi para duas pessoas, ele e o namorado.

Provaram 31 pratos, dezesseis vinhos e custou US$ 4 mil, pagos pela American Express.

A crítica saiu na primeira página e o jornal recebeu uma enxurrada de cartas de leitores ofendidos pela extravagância de Craig Claiborne. Em 1975, com US$ 4 mil, era mesmo possível alimentar um Exército.

Qualquer dono de restaurante medíocre em Nova York sabia quem era Craig Claiborne, e a chegada dele provocava uma revolução na cozinha e entre os garçons.

Desde de Claiborne, que se aposentou na década de 80 e morreu há seis anos, os críticos culinários do The New York Times adotaram nomes falsos para fazer reservas e jamais se deixavam fotografar.

O crítico atual, Frank Bruni, mantém a linha do anonimato, mas talvez fique mais famoso pelo seu serviço do que seus comentários.

Semana passada, o mais influente crítico culinário dos Estados Unidos trabalhou como garçom num restaurante de Massachussetts.

Derramou a bouillabaisse, não conseguiu decorar o menu, esqueceu pedidos, confundiu pratos, devolveu cartões de créditos para pessoas erradas.

Apesar dos erros, recebeu, em média, 18% de gorjetas. Salários de garçons são infames. Vivem das gorjetas.

Entre outras coisas, Frank Bruni descobriu que a maioria dos fregueses tem preguiça de ler o menu e quer ouvir o garçom recitar os pratos. Muitos até preferem que o garçom decida o que vão comer.

Entusiasmo e boa vontade, em geral, são mais importantes do que conhecer tudo sobre a comida e a bebida, mas há sempre fregueses que querem todos detalhes sobre a preparação de um prato ou sobre uma bebida. Quais são as tequilas da casa, fabricante, ano, cor, grau de secura.

Frank Bruni saiu da experiência com mais respeito pelos garçons que todos os dias lidam e dependem de duas das espécies humanas mais difíceis e impacientes: os famintos e os bêbados.

Uma nota de "pé" de coluna. Craig Claiborne aprendeu cozinhar com a mãe no sul dos Estados Unidos e estudou culinária na Europa. Na década de 80 passou uma temporada no Brasil e, na volta, publicou uma crítica de página inteira no Times na qual afirmava que as duas cidades melhores do mundo para comer eram Nova York e São Paulo.

Arquivo - Lucas
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