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Atualizado às: 07 de fevereiro, 2006 - 19h40 GMT (17h40 Brasília)
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Milagre venenoso
Entre os prazeres da infância, o leite de vaca tirado na hora e tomado no curral é um dos mais inesquecíveis, muito melhor do que Crush ou Guaraná da Antarctica.

No Brasil, longe das vacas, nunca curti leite porque era aguado, mas a primeira vez que tomei leite americano foi uma viagem instantânea, uma madeleine até a fazenda do tio Didico. Batido no liquidificador e quentinho, parecia saído da vaca.

Cortei o leite porque em pouco tempo ele apareceu na cintura e atrapalhava as outras bebidas, mas não era uma mania minha. Conheci outros brasileiros apaixonados pelo leite americano, entre eles três gaúchas.

Elas traziam quilos de goiabada e biscoitos feitos pela empregada em Porto Alegre. No caminho do aeroporto para o hotel compravam litros de leite, entravam no quarto, comiam e bebiam com voracidade. Eram três gigantes.

Em Nova York, o leite corre o risco de entrar em extinção. Acaba de ser banido das escolas públicas, e não se trata de fascismo culinário dos políticos locais. Outras cidades e estados já tinham proibido leite comum nas escolas.

Em Nova York foi má noticia para as crianças e para os fabricantes. Criança não gosta de leite magro e, com base noutras cidades, a queda no consumo das escolas pode ser de até 20%.

Numa cidade com 1,1 milhão de estudantes nas escolas públicas, a dieta do leite magro é prejuízo gordo para os fabricantes que há vinte anos vinham perdendo a competição com os refrigerantes, também já banidos das escolas.

Os americanos batem recordes mundiais de obesidade e estudos recentes mostram que os bairros pobres de Nova York, em especial a população negra, lideram o país em diabetes. O leite é um dos principais suspeitos.

Durante e depois da Segunda Guerra, o leite foi racionado porque era considerado um alimento imprescindível, quase milagroso, que precisava ser distribuído de forma mais igualitária.

Em 1946 o presidente Truman assinou uma lei tornando o leite um alimento obrigatório nas escolas públicas.

Agora é veneno.

Arquivo - Lucas
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