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Vassouras capitalistas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
No espaço nobre da primeira página, o Wall Street Journal da semana passada descreve as domésticas brasileiras nos Estados Unidos como empregadas competentes, confiáveis, diplomadas e com tino capitalista. Numa longa reportagem, o repórter do jornal de maior circulação nos Estados Unidos (há uma disputa mal resolvida com o USA. Today) visitou Framingham, em Massachussetts, onde os brasileiros já representam um quarto da população de 67 mil habitantes. O cheiro do pão de queijo perfuma várias ruas da cidade. As diaristas brasileiras vivem, mas não trabalham em Framingham. Elas fazem limpezas nos subúrbios ricos de Boston e são contratadas por outras brasileiras que chegaram há mais tempo na região e criaram suas empresas de prestação de serviços. Elas controlam, compram e vendem às clientes americanas. As brasileiras donas das empresas ganham por volta de US$ 100 mil por ano e as empregadas ganham na faixa de US$ 30 mil a US$ 40 mil. Ao contrário dos outros latinos, em geral semi-analfabetos, a grande maioria dos imigrantes brasileiros tem pelo menos curso secundário e muitos falam inglês, mas já há resistência à presença deles. Grupos anti-imigrantes dizem que eles não pagam impostos e que os filhos estudam de graça nas escolas públicas a um custo de US$ 10 mil por ano para o contribuinte. Na década de 70, fiz uma reportagem sobre cinco diaristas de Manhattan. Eram pioneiras. Duas tinham cursos universitários, e uma delas mais tarde foi reitora de faculdade em Minas Gerais. Não sei quantas empregadas passaram pela minha casa. Três delas moraram lá pelo menos quatro anos cuidando das crianças e do apartamento. Economizavam uns US$ 10 mil por ano embaixo do colchão ou nas malas. Todas tinham mais de 50 anos, nenhuma tinha diploma, nem do secundário, mas as três voltaram para o Brasil com dinheiro suficiente para comprar apartamentos de US$ 30 mil a 40 mil. Hoje, a maioria vem para ficar e a vassoura é só um trampolim para um emprego melhor ou para criar a própria empresa. Em Manhattan, quem limpa dois ou três apartamentos por dia ganha entre US$ 200 e US$ 300 livres de impostos. É renda de classe média afluente. Pago a diarista US$ 80 pelas 3 horas que faz limpeza no apartamento. Trabalha em vários outros apartamentos. Ela conseguiu sustentar o curso do filho numa boa faculdade de economia no Brasil e todos anos ele vem a Nova York estudar inglês e passar férias. Esta afluência tem um preço. As empregadas trabalham sem documentos legais, sem seguro médico nem aposentadoria e sempre com medo de prisão e deportação pelo serviço de imigração. Basta uma queixa de uma patroa. |
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