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Redistribuição ajudaria crescimento na América Latina, diz FT | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os países da América Latina precisam distribuir riqueza e combater a pobreza se desejam ver a exuberância de seus mercados financeiros – com bolsas em níveis recordes e moedas supervalorizadas – refletida no crescimento econômico. Esta é a conclusão de um editorial publicado nesta quarta-feira pelo jornal britânico Financial Times, comentando um estudo do Banco Mundial publicado na véspera que indica que a pobreza limita o crescimento na América Latina. “A crença econômica convencional sugere que o crescimento econômico reduz a pobreza”, diz o editorial. “Porém, como um estudo publicado ontem pelo Banco Mundial argumenta, a pobreza retarda o crescimento, ao reproduzir os mesmos padrões de exclusão social e de diferenças de renda. Tudo isso contribui para um círculo vicioso que limita o potencial da região.” Para o jornal, “a pobreza é uma das razões pela quais países como o Brasil – o favorito dos mercados – cresceu apenas 2,3% em 2005, apesar dos altos preços das commodities, uma crescente demanda por parte da China e a grande liquidez global”. “E sua persistência explica por que as sociedades estão cada vez mais buscando populistas de velho estilo para responder aos seus problemas”, diz o editorial. “A tendência – visível nas recentes eleições na Bolívia e na Costa Rica – poderia influenciar o resultado das eleições deste ano no Peru, no México, no Equador e na Nicarágua.” Para o FT, “o desempenho da América Latina indica que a confiança exclusiva em receitas pró-mercado não é suficiente”. O editorial observa que, como o estudo do Banco Mundial sugere, “os governos precisam dar uma maior prioridade aos gastos com infra-estrutura que beneficiem os pobres e fazer mais para melhorar a qualidade da educação e do serviço de saúde”. “Mas o gasto público em países como o Brasil – especialmente em áreas como pensões públicas – ainda está inclinado fortemente em favor dos mais ricos. E em outros lugares, os governos arrecadam muito pouco em impostos, principalmente dos ricos.” O texto conclui dizendo que “pode parecer uma heresia a alguns ouvidos, mas um certo grau de redistribuição seria bom para o crescimento”. Fábrica polêmica A construção de uma fábrica de celulose na cidade gaúcha de São Borja, nas margens do rio Uruguai, ameaça criar um conflito entre brasileiros e argentinos, de acordo com uma reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal La Nación. No mês passado, uma iniciativa semelhante no Uruguai havia provocado uma série de protestos na fronteira com a Argentina e levou o governo argentino a protestar na Corte Internacional de Justiça, com sede em Haia, na Holanda, alegando que a construção ameaçava poluir o rio. Segundo o La Nación, a notícia da abertura da fábrica brasileira, com capital de um consórcio europeu, levou o prefeito da cidade argentina de Santo Tomé a contactar o prefeito de São Borja em busca de informações. O governador da província argentina de Corrientes, por sua vez, disse que a região está aberta aos investidores, mas que qualquer projeto que provoque impacto ecológico em área de jurisdição argentina ou em águas limítrofes “deve respeitar as normas ambientais e os tratados firmados por ambos os Estados”. Em declarações ao La Nación, o prefeito de Santo Tomé disse que as relações com os vizinhos brasileiros são excelentes e que os investidores devem ter a garantia de ter segurança jurídica. “Confio que ninguém saia a fazer piquetes, a bloquear a ponte. Resolveremos as coisas com inteligência, de comum acordo, evitando provocar problemas ao governo”, disse o prefeito. “Em Entre Ríos (província argentina onde ocorre o conflito com o Uruguai) a situação está fora de controle. Temos que unir o Mercosul, não dividir com conflitos desnecessários.” Café colombiano A exportação, pela primeira vez na história, de café colombiano ao Brasil, tradicional produtor e exportador do produto, ganhou destaque na edição de hoje do jornal econômico La República, da Colômbia. Segundo o jornal, a primeira venda teve um volume baixo – 500 sacas – mas a intenção dos produtores colombianos é aumentá-lo gradualmente. Para o La República, o início das exportações colombianas é importante pelo fato de o Brasil ser hoje o segundo maior consumidor de café no mundo – com 16 milhões de sacas ao ano -, mas deve se tornar o primeiro, com 20 milhões de sacas ao ano, em pouco tempo. “No mundo globalizado de hoje as transações de café são cada vez mais livres, e neste caso a Colômbia não necessita permissão para exportar ao Brasil pelos acordos entre a Comunidade Andina e o Mercosul, assim como não necessitam de permissão o Peru e o Equador para vender à Colômbia”, diz o jornal. |
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