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Atualizado às: 06 de fevereiro, 2006 - 11h08 GMT (09h08 Brasília)
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Pró-Álcool pode ser 'amargo demais' para EUA, diz jornal
Jornais
Para repetir o sucesso do Pró-Álcool brasileiro nos Estados Unidos, o governo americano seria obrigado a desempenhar um papel "desagradável para o paladar" político do país, afirma o diário americano Wall Street Journal nesta segunda-feira.

"A experiência do Brasil mostra que, para copiar o exemplo com sucesso, os Estados Unidos teriam de fazer escolhas políticas que políticos americanos driblaram no passado", diz a reportagem, afirmando que a determinação brasileira em implementar o programa "por vezes pareceu aventureira".

Entre os motivos citados pelo jornalista como obstáculos para a repetição bem-sucedida do Pró-Álcool em terras americanas estão os decretos que obrigaram os postos de gasolina a oferecer álcool e a criação dos subsídios e impostos que mantiveram o preço do combustível mais barato que a gasolina.

Outro detalhe importante, segundo o Wall Street Journal, foi o aumento na produtividade das fazendas de cana-de-açúcar, com o corte de subsídios na década de 90.

"Um programa inspirado no Brasil significaria o fim do apoio federal para os plantadores americanos de milho e cana", diz o jornal, afirmando ainda que seria necessário o fim do protecionismo a esses produtos.

Irã

Na Europa, o assunto que domina os editoriais é a polêmica sobre o programa nuclear do Irã, que se intensificou durante o fim de semana.

Em um editorial entitulado "Roleta Russa", o britânico The Times afirma que a decisão tomada pela Agência Internacional de Energia Atômica no sábado de denunciar o governo iraniano ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) foi "tão inevitável quanto necessária".

De acordo com os editorialistas, a saída para a crise seria um "entendimento entre Moscou e Teerã, que permitiria o enriquecimento de urânio, realizado na Rússia, para o Irã".

No entanto, o jornal diz que "a Grã-Bretanha deve apoiar os Estados Unidos para exigir um acordo que não deixe brechas, se a Rússia e o Irã anunciarem que chegaram a um acordo".

Para o Times, a comunidade internacional não pode "admitir qualquer 'acordo' que apenas adie o momento" em que o Irã desenvolveria um arsenal nuclear.

O assunto também é destaque no The Independent, que afirma "não existir crise enquanto as conversas continuarem".

Para os editorialistas do diário britânico de tendência esquerdista, os últimos acontecimentos indicam que "o Irã está tão hesitante sobre a interrupção da diplomacia quanto os europeus, e até os americanos".

Para o Independent, isso quer dizer que "há tempo e espaço para as conversas continuarem. E é do interesse de todos que isso aconteça".

Maomé

Na Grã-Bretanha, as críticas à postura da polícia britânica durante a manifestação em Londres contra a publicação de charges do profeta Maomé consideradas ofensivas pela comunidade muçulmana de vários países apareceram em diversas publicações.

Na ocasião, diversas pessoas carregavam cartazes com ameaças de morte, e um homem chegou a se fantasiar de homem-bomba, mas a polícia não prendeu ninguém.

Para o jornal The Guardian, que tradicionalmente tem uma postura liberal, "as ameaças têm que ser enfrentadas", salientando que "o nosso (da Grã-Bretanha) estilo de vida é tolerante; temos que ser robustos ao defendê-lo contra os seus inimigos".

A opinião do jornal de tendência esquerdista é – talvez surpreendentemente – parecida com a dos editorialistas do The Sun, que costumam defender uma linha mais próxima da extrema direita.

"(O primeiro-ministro britânico) Tony Blair tem que determinar que a polícia autue os simpatizantes da Al-Qaeda cheios de ódio que debocham da nossa (britânica) tolerância".

Na Alemanha, o Berliner Zeitung pergunta em um artigo se toda a polêmica em torno das charges "valeu a pena".

"Seria bonito e simples, se um conflito pudesse ser varrido do mundo. Mas, sem as liberdades de expressão e de imprensa, não é possível pensarmos no mundo ocidental. Liberdades, que os muçulmanos que aqui (no Ocidente) vivem exigem para eles mesmos", conclui a articulista do jornal alemão.

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