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Crescimento de 9% na Argentina não convence críticos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A economia argentina cresceu cerca de 9,2% no ano passado, de acordo com dados oficiais que serão divulgados nesta quinta-feira e foram antecipados pela imprensa do país. Mas o resultado desta cifra, definida como "asiática" por diferentes especialistas, não agrada a todos os economistas argentinos consultados pela BBC Brasil. "A Argentina deveria ter um ritmo, constante, de cerca de 4% de expansão da sua economia. Não adianta crescer 9%, 10% durante três anos e depois cair 15%, 20%. Essa volatilidade contribui para a concentração de renda, entre outros fatores", afirmou Mariano Flores Vidal, da consultoria IBCP. "Estamos apenas fazendo o suficiente para continuar no sub-desenvolvimento", criticou Aldo Abram, da consultoria Exante. Pobreza O também economista Ernesto Kritz, especializado em questões sociais e trabalhistas, destacou que durante o governo do presidente Néstor Kirchner, de 2003 até agora, a pobreza caiu de 53% para 34%. No mesmo período, a indigência caiu de 25,5% para 12%. Mas o problema, ressaltou, ainda é a concentração de renda. "O crescimento econômico beneficiou a classe média e também voltou a incluir a classe média baixa que, na crise (2001), tinha ido para a pobreza. Mas essa expansão da economia ainda não conseguiu incluir os mais pobres", afirmou. Kritz concorda com Mariano Flores Vidal ao destacar que melhor seria a Argentina ter um crescimento constante e não de grandes altas e grandes baixas, como ocorreu ao longo de sua história recente. Os três economistas entendem que é "muito difícil" sustentar essas taxas de 9% de aumento da economia. A expectativa dos especialistas é de que a alta, este ano, será de 7% e de cerca de 4% a 5% em 2007. Crescimento Hoje, o país acumula 37 meses seguidos de crescimento econômico, período mais longo nos últimos cem anos. Mas, para Aldo Abram, os resultados ainda referem-se "mais à recuperação (da última etapa de recessão), com crescimento específico de alguns setores", especialmente os exportadores, como agropecuário e alumínio, por exemplo. Para Mariano, trata-se de crescimento global da economia porque os indicadores já superam os que foram registrados em 1998, antes da pior crise na trajetória do país. Abram e Mariano concordam que as taxas de investimentos são decisivas para que a economia mantenha seu ritmo. Mas, apesar do incremento dos investimentos (atualmente, este índice que chegou a 18% é de cerca de 21,5% do Produto Interno Bruto, PIB), eles são "insuficientes" - como ressaltou Mariano - para que o crescimento econômico continue equivalente ao asiático - onde, para isso, as taxas de investimentos superam os 30% anual do PIB. Na opinião de Aldo Abram, o pior é que o governo do presidente Kirchner tem uma política "intervencionista" que afeta a "segurança jurídica" e não gera "clima favorável" para novos investimentos. Outra preocupação, destacada quase que diariamente pelo próprio governo, é a inflação. Nos últimos meses, o Ministério da Economia passou a realizar acordos setoriais de preços, na área de alimentos, e agora inclui até aluguéis. Para Mariano, a alta de preços, que ficou em cerca de 10% no ano passado, ainda não tira o sono de todos porque o governo adotou medidas "ortodoxas", como um orçamento sem aumento no gasto público. Ele entende que o governo tem, pelo menos, três deveres de casa sem fazer e que poderiam ser concretizados, nessa etapa de crescimento da economia: redução ou eliminação de impostos "distorcivos", como o imposto ao cheque (semelhante à CPMF, do Brasil) e a solução da dívida com aqueles que não aceitaram o desconto de cerca de 30% dos títulos públicos (aproximadamente US$ 20 bilhões) que compraram. "Essa seria a hora certa para o governo resolver tudo isso porque é quase impossível que a Argentina continue crescendo neste ritmo atual", disse Mariano. |
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