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Desemprego desafia próximo presidente chileno | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O desemprego e o combate à pobreza são os maiores desafios para o próximo presidente do Chile, na opinião da oposição e da situação. “Nosso objetivo é gerar emprego para reduzir a concentração de renda”, disse o economista Andrés Velasco, professor da Universidade de Harvard e assessor econômico da presidenciável governista Michelle Bachelet. “No Chile, a concentração de renda existe porque os pobres trabalham menos e têm menos dinheiro.” Em entrevista à BBC Brasil, ele afirmou que a renda per capita dos chilenos “mais que duplicou” nas duas últimas décadas e que esse é o “único” país da América Latina onde as pessoas hoje são “mais prósperas” do que há vinte anos. Apesar disso e do crescimento econômico (cerca de 6% nos últimos doze meses e a mesma previsão para todo o ano de 2005), algumas barreiras dificultam que o nível de ocupação no mercado de trabalho aumente à medida que a economia do país se expande. Jovens são os mais afetados Velasco lembrou que os mais afetados são os jovens (atingidos com 20% de desemprego) e as mulheres – as chilenas representam a menor força de trabalho entre as mulheres da região e ainda uma das menores no mundo. No Chile, apenas 37% delas, com mais de 18 anos, trabalham. Na Argentina, por exemplo, esse índice é de aproximadamente 55% e nos Estados Unidos, recordou o economista, de 60%. No mês passado, dados oficiais revelaram que a taxa de desemprego no terceiro trimestre deste ano foi de 8,1%. Resultado 1,3% menor que no mesmo período do ano passado e o mais baixo em sete anos. A desocupação, ressaltam assessores do presidente Ricardo Lagos, vem caindo “sistematicamente”, mas esse ainda é um “modelo desigual”. Um modelo econômico baseado na abertura comercial que passou a ser citado como referência em diferentes países, mas que ainda precisa de “melhorias”, segundo assessores dos partidos de esquerda e direita. Concentração de renda Para Velasco, a criação de postos de trabalho é a principal saída para reduzir os atuais 18% de pobreza no país e estreitar a distância entre ricos e pobres. Os 10% mais pobres ganham 14 vezes menos que os 10% mais ricos. Ele destacou que entre as famílias das classes altas, geralmente, mais de uma pessoa trabalha. Entre os mais favorecidos, cerca de 60% das mulheres trabalham e muitos dos filhos idem. “E se olharmos os 10% mais pobres, o desemprego lhes afeta mais fortemente. Os filhos não trabalham e a participação das mulheres no mercado de trabalho é metade da registrada entre os mais ricos”, disse. Em síntese, destacou, os dados revelam que os lares mais pobres contam com menor renda. “No Chile, o desemprego, a pobreza e a concentração de renda caminham juntos. Menos dinheiro, mais desigualdade”, afirmou. Velasco estima que o desemprego duplica entre os mais pobres frente às classes ricas. Expansão econômica Para o analista político Cláudio Fuentes, da Flacso (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais), o desafio do Chile é manter o desemprego em ritmo de baixa. Ele explica que essa taxa pode chegar a variar, como ocorreu nos últimos anos, entre 8% e 12%. Mas que graças às vendas do país, principalmente para a China, a previsão, disse, é de mais alguns anos de expansão econômica, o que continuará “ajudando” na redução do desemprego. O assessor de assuntos internacionais da candidata Michelle Bachelet, Ricardo Lagos Weber, filho do presidente Lagos, contou à BBC Brasil que 85% do comércio do Chile têm tarifas preferenciais com outros países ou blocos – União Européia, Estados Unidos e China, entre outros. Consenso sobre industrialização Hoje, esse país de 15 milhões de habitantes, baixas taxas de juros e de inflação, com uma moeda, o peso, valorizada, exporta principalmente vinhos, frutas, cobre (maior exportador do mundo), salmão e farinha de peixe. Mas importa quase todos os produtos industriais, incluindo televisão, ônibus e automóveis, por exemplo. Nos últimos tempos, a oposição e a situação passaram a concordar que a saída para o desemprego é aumentar, como afirmam, o valor agregado desta produção natural. Ou seja, mais doces de frutas e peixes enlatados, por exemplo. Atualmente, recordou o economista Velasco, o Chile já aproveita o cobre para produzir e exportar software. Esse ano, o Chile exportará US$ 40 bilhões e, nos últimos anos, vem batendo recordes e recordes de vendas externas. Mas apesar de toda a discussão sobre emprego e concentração de renda, a decisão pela abertura comercial parece já fazer parte da identidade dos chilenos e esse assunto nem se discute. Só se for para saber como ampliá-la ainda mais. |
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