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Chilenos vão às urnas para eleição presidencial | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os chilenos estão indo às urnas nesse domingo para eleger o próximo presidente do país, renovar as 120 cadeiras da Câmara dos Deputados e metade das 40 cadeiras do Senado. Durante a campanha, os três principais candidatos à presidencia apresentaram discursos semelhantes nas áreas econômica e social. Todos defenderam a abertura de mercado e insistiram em críticas à concentração de renda. Mas eles tem profundas diferenças em temas como o tamanho e papel do Estado, religião e casamento gay. “Vamos seguir ampliando os acordos comerciais do Chile com o mundo”, disse a candidata da situação, a socialista Michelle Bachelet. “Teremos acordos comerciais com maior número possível de países e defenderemos a Alca”, afirmou o presidenciável Sebastián Piñera, da RN. Palavras semelhantes foram ditas por Joaquín Lavín, candidato da UDI, durante os últimos meses de campanha. Continuísmo Os três também afirmaram que é preciso manter algumas medidas da atual administração do presidente Ricardo Lagos, mas ao mesmo tempo continuar “corrigindo o modelo” deixado pelo ex-ditador Augusto Pinochet, que saiu do poder há quase 16 anos.
O analista Cláudio Fuentes, da Flacso, diz que apesar de os três principais candidatos apresentarem discursos econômicos semelhantes, a socialista Bachelet aposta na presença maior do Estado e na reforma da previdência social. Ele diz que Piñera e Lavin, por outro lado, vêem um papel mais importante para a iniciativa privada que, para eles, deveria manter ou ampliar sua participação na economia chilena. Os canditados também têm um discurso igual a respeito do fururo de Pinochet por crimes contra os direitos humanos: a decisão deve ficar nas mãos da Justiça. Transferência de votos Mas para alguns analistas, Bachelet não soube conquistar os votos dos eleitores que aprovam a gestão do presidente Ricardo Lagos. De acordo com diferentes pesquisas de opinião, o presidente, que deixa o cargo em março, teria entre 60% e 70% de imagem positiva mas a candidata do governo receberia - de acordo com os últimos levantamentos - entre 38% e 42% da votação. “Curiosamente, foi Piñera a revelação desta eleição, e não a candidata da situação, quem melhor capitalizou a opção do continuísmo. E foi por não ter conseguido conquistar o voto dos que apóiam Lagos que ela terá que enfrentar o segundo turno”, escreveu Patrício Navia, da Universidade Diego Portales, na revista Capital. No entanto, nas últimas horas antes da abertura da votação, Bachelet reiterou que vencerá essa eleição presidencial, a quarta desde o retorno da democracia, em 1989. “Vencerei seja no primeiro ou no segundo turno. Se for no segundo turno, vencerei três vezes porque também terei maioria dos parlamentares eleitos”, afirmou. Surpresa Piñera, que começou a fazer campanha há sete meses e na reta final surpreendeu ao subir nas pesquisas de opinião, disse que vai para o segundo turno disputar a presidência com Bachelet.
Ele já ofereceu a Lavín - o candidato com menos chances de seguir na disputa - o comando de sua campanha no segundo turno ou um cargo no seu governo, caso seja eleito. Mas Lavín também se disse confiante de que será o rival da candidata governista, no caso de a eleição não ser definida nesse domingo. Se nenhum dos candidatos conseguir 50% dos votos mais um agora, o segundo turno, que define quem será o próximo ocupante do Palácio La Moneda, acontece em 15 de janeiro. E, de acordo com as últimas pesquisas de opinião, Piñera e Lavin, juntos, teriam quase o mesmo índice de intenção de votos que Bachelet. Reta-final A expectativa de que o resultado poderá ser apertado levou os dois candidatos da oposição, Piñera e Lavín, a intensificarem suas aparições públicas nas últimas horas da campanha. Na véspera da eleição, quando a lei eleitoral já proibia as campanhas, Piñera - definido como de centro-direita - levou a família para visitar o zoológico da cidade. Num dia de sol forte, beijou crianças, abraçou eleitores, falou com a imprensa e argumentou porque deve ser o próximo presidente do Chile. “Somos a melhor opção para o país nesse momento. E todos aqueles que concordarem com nosso programa de governo são bem-vindos para uma coalizão no segundo turno”, disse. “Nosso programa consiste em acordos comerciais, medidas para combater a concentração de renda e para gerar trabalho e a defesa de valores como o não ao aborto”, destacou. Para ele, católico, os “valores” poderão definir as eleições presidenciais. Religião O Chile é um país de maioria católica e considerado bastante conservador. Apesar disso, Bachelet conseguiu manter sua dianteira nas pesquisas mesmo declarando abertamente não ter religião, ser separada e mãe de três filhos de casamentos diferentes. Em um debate ela chegou a dizer que aprova a união de pessoas do mesmo sexo, o que foi condenado pelos outros dois candidatos. Católico praticante, Lavin disputou o segundo turno das últimas eleições com Lagos e perdeu porque partidos de esquerda - que não integram a governista Concertación - acabaram decidindo apoiar o presidente. Com esse cardápio, os chilenos irão às urnas nesse domingo sob a expectativa de alto comparecimento, incluindo os 250 mil novos jovens que se inscreveram para votar. Oito milhões e duzentos mil chilenos estão registrados para votar. Mas, na dúvida, o presidente Lagos fez um apelo aos eleitores: “Votem nesse domingo, porque significará a solidez da nossa democracia”. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Concertación pode eleger quarto presidente no Chile10 dezembro, 2005 | BBC Report Filho de Lagos diz que sucessor deve se livrar da herança Pinochet10 dezembro, 2005 | BBC Report Candidata de Lagos promete continuidade e mudança09 dezembro, 2005 | BBC Report Oposição aposta em cansaço com esquerda no Chile09 dezembro, 2005 | BBC Report Oposição no Chile já faz aliança para 2º turno08 dezembro, 2005 | BBC Report LINKS EXTERNOS A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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