70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 10 de dezembro, 2005 - 05h21 GMT (03h21 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Concertación pode eleger quarto presidente no Chile

Michelle Bachelet
Bachelet terminou campanha liderando as pesquisas
Se a candidata governista Michelle Bachelet for eleita presidente do Chile neste domingo ou no segundo turno, a coalizão de centro-esquerda Concertación será a única a ter ocupado o Palácio presidencial de La Moneda, desde que o ditador Augusto Pinochet deixou o poder, em março de 1990.

A coalizão, formada há quase 18 anos, elegeu três presidentes no país desde o retorno da democracia, com a eleição presidencial de 1989.

“O nosso segredo foi ter feito bons governos e ainda manter a união, mesmo nas horas mais complicadas. Nós tinhamos um projeto comum que fomos aperfeiçoando”, disse o ex-presidente do Chile Patrício Alwin, primeiro presidente eleito por esta frente, à BBC Brasil.

O ex-presidente, de 87 anos, foi aplaudido de pé no último comício realizado por Bachelet, no edifício do antigo Congresso Nacional. Ele é da Democracia Cristã, que, junto com o Partido Socialista (PS) de Bachelet e do atual presidente Ricardo Lagos, forma a base da Concertación, que conta ainda com outros dois partidos menores, PPD e PRSD.

Ricardo Lagos foi o primeiro presidente socialista eleito desde a morte de Salvador Allende, em março de 1973, durante o sangrento golpe de Pinochet. Mas poderia se dizer que a história da Concertación comeca antes do golpe militar.

Alwin e seu partido, a DC, eram críticos ferrenhos das medidas de Allende, mas, segundo historiadores, não apoiou os crimes contra direitos humanos dos tempos do ex-ditador. Porém, foi simpatizante, como diz a própria página da DC na internet, da ordem que o regime militar poderia impor ao país naquela ocasião.

A DC e o PS sempre tiveram disputas políticas e de projeto para o Chile. Contudo, segundo historiadores e integrantes dos dois partidos, os crimes contra os direitos humanos, num governo de mão dura de Pinochet, os levou à união.

Alwin foi o porta-voz da Concertación até virar presidente eleito. Na última eleição, de Lagos, ele venceu uma espécie de convenção interna da Concertación para disputar a Presidência.

Nesta eleição, de 2005, a candidata da DC, a também ex-ministra Soledad Alvear, desistiu da corrida eleitoral, diante dos resultados das pesquisas de opinião que favoreciam a socialista Bachelet.

Segredo

“O segredo da Concertación é apoiar a democracia e tentar avançar para melhorar as injustiças que ainda hoje existem no país”, disse a deputada socialista e escritora Isabel Allende, filha do ex-presidente.

Para o filho do atual presidente Ricardo Lagos, Ricardo Lagos Weber, a Concertación “foi e é decisiva para a governabilidade do país”. Lagos Weber participou do governo do pai e agora assessora Bachelet na campanha.

Além de Lagos e de Alwin (1990-1994), a Concertación foi a base da eleição de Eduardo Frei Ruiz-Tagle (1994-1999) e do atual presidente, eleito em janeiro de 2000, no segundo turno. A eleição de Ricardo Lagos foi apertada sobre Joaquín Lavín, que volta a disputar o cargo nestas eleições.

Lavín é do mesmo partido de Pinochet, UDI, e aparece em terceiro lugar em diferentes pesquisas de intenção de voto para este domingo.

Alwin, Eduardo Frei – filho do ex-presidente Eduardo Frei-Montalva (1964-70) – e Lagos simbolizam uma frente que tem maioria na Câmara dos Deputados, mas não no Senado.

Em 1988, no mesmo ano em que surgiu, a Concertación uniu-se para votar pelo “não” no plebiscito convocado por Pinochet para definir sua continuidade ou não no poder. O “não” venceu, deu protagonismo a Ricardo Lagos, que fez um discurso apaixonado diante das câmeras de televisão, e interrompeu a idéia de continuismo de Pinochet.

Mas, como recordam os analistas Cláudio Fuentes, da Flacso, e Manuel Antonio Garreton, da Universidade do Chile, esse é um caminho para a democracia que já leva quase duas décadas.

A eleição do primeiro presidente em tempos democráticos (e pela Concertación) já completa quase 16 anos. Mas Pinochet deixou uma Constituição, recordam, com “várias amarras”.

Elas incluíam senadores biônicos, cadeiras garantidas na Suprema Corte de Justiça e a polêmica lei eleitoral, entre outros itens. Algumas destas medidas foram eliminadas, principalmente durante o atual governo de Lagos.

Mas os presidentes democráticos, unidos na Concertación, mantiveram medidas econômicas das décadas de 70 e 80, implementadas por Pinochet, como a abertura de mercado e o sistema privado de previdência social – hoje criticado por Bachelet, principalmente.

Por outro lado, como ressaltaram Lagos Weber e diferentes analistas, os governos democráticos não conseguiram se livrar de marcas deixadas pelo regime militar.

“Nós herdamos um modelo que era apenas de mercado. Mas fomos, juntos, avançando, fazendo correções”, disse o atual presidente da Democracia Cristã, senador Adolfo Zaldivar.

“Mas ainda falta para que seja um modelo ideal, que consiga somar crescimento econômico e justiça social”.

66Chile
Candidata de Lagos promete continuidade e mudança.
66Eleição no Chile
Candidato tenta ataca guinada para a esquerda do governo.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade