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Filho de Lagos diz que sucessor deve se livrar da herança Pinochet | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O filho do presidente chileno Ricardo Lagos, Ricardo Lagos Weber, defende que o sucessor do seu pai realize, o quanto antes, uma reforma do sistema eleitoral para “livrar” o Chile das “últimas amarras” deixadas pelo ditador Augusto Pinochet. Em entrevista à BBC Brasil, Lagos Weber, que é porta-voz e estrategista da área internacional da candidata presidencial Michelle Bachelet, disse que Lagos reformou a Constituição da era Pinochet, mas não conseguiu apoio suficiente no Congresso Nacional para modificar a legislação eleitoral. “Essa é uma pendência que ficará para o próximo presidente”, admitiu. “O sistema eleitoral chileno é esquizofrênico”, afirmou Lagos Weber, às vésperas da eleição presidencial. Segundo ele, o governo Lagos conseguiu maioria para todas as reformas, mas a direita não quis apoiar o fim de uma medida que a beneficia há anos. Sistema binominal O chamado “sistema binominal” funciona para as eleições de deputados e senadores. Na prática, trata-se da eleição de dois representantes por cada distrito e sua principal característica é permitir representação parlamentar idêntica às duas primeiras maiorias. Essa matemática vem recebendo críticas cada vez mais constantes desde o retorno da democracia no Chile, em 1989. Lagos Weber, Bachelet e cientistas políticos de peso, como o professor Manuel Antonio Garretón, da Universidade do Chile, acreditam que esse regime não reflete a atual realidade do voto chileno. Com o sistema, a direita continua fortemente representada no Congresso, mesmo quando os presidentes mais votados foram, em tempos democráticos, de centro-esquerda. Este é o caso específico da Concertación (coalizão de Lagos), que venceu todas as eleições presidenciais até agora e é obrigada a negociar suas medidas à exaustão, especialmente no Senado, onde metade dos parlamentares são de direita. Ministério? Lagos Weber, que tem 43 anos, está cotado, segundo a imprensa chilena, para ser o ministro das Relações Exteriores, caso a candidata vença as eleições deste domingo. “A definição de cargos não pode ser assunto meu, mas da candidata quando chegar à Presidência”, desconversou. Advogado e economista, com doutorado em Cambridge, o filho de Lagos foi diretor de assuntos econômicos e multilaterais do governo atual, cargo em que negociou acordos comerciais com os Estados Unidos, entre outros países. Mas ao falar sobre Pinochet, Lagos Weber insiste que a reforma do sistema eleitoral será decisiva para complementar o processo democrático no Chile. A promessa de Bachelet, candidata à frente nas pesquisas de opinião, é modificar esta medida. Segundo Lagos Weber, isso será possível porque depois de mais de 15 anos de democracia, a direita também mudou sua visão. Principalmente, destacou, depois que a Justiça revelou as contas bancárias secretas e milionárias de Pinochet no exterior. “Pinochet está sendo processado por crimes contra os direitos humanos e roubo de dinheiro”, lembrou. “Sempre se soube de seus crimes contra os direitos humanos, mas a direita só lhe deu as costas depois de confirmado que ele roubou dinheiro”, atacou. Hoje, disse ele, o mais importante é que Pinochet “faz parte do passado”. O filho do presidente Ricardo Lagos afirmou que até dois ou três anos, os seguidores do ex-ditador faziam fila para parabenizá-lo no dia se seu aniversário. Mas agora, ressaltou, não é mais assim. Ricardo Lagos Weber aproveitou para criticar os candidatos da direita e opositores de Michelle Bachelet, neste domingo. “A direita não tem projeto e a prova é que está dividida com dois candidatos e numa mesma frente que se chama Alianza”, disse referindo-se aos presidenciáveis Sebastián Piñera, do RN, e Joaquín Lavín, da UDI, partido de Pinochet. Além de votar para presidente (no Chile não existe candidato a vice), os chilenos votarão para renovar a Câmara dos Deputados e metade do Senado. O governo precisa da maioria para “se liberar” das amarras de Pinochet e para implementar medidas que podem contribuir, segundo Manuel Antonio Garretón, para reduzir a concentração de renda. “Pinochet deixou uma Constituição que permite uma participação de 15% do Estado nas decisões nacionais. Essa é só uma das medidas que ainda impedem que o país resolva seu drama da concentração de riquezas, que junto com o Brasil está entre as maiores da América Latina, que já é uma região injusta”, destacou Garretón. Para o analista, a agenda do próximo presidente deverá dar um norte ao país, após a era “pós-pinochetista”. |
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