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Negociações sobre livre comércio não avançam em Paris | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A apenas três meses da crucial conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Hong Kong, para a liberalização do comércio mundial, as negociações agrícolas continuam emperradas. Ministros do Brasil, União Européia, Estados Unidos e Índia, os maiores produtores agrícolas mundiais, se reuniram nesta sexta-feira na embaixada brasileira em Paris, mas o único resultado concreto do encontro foi o de constatar, mais uma vez, que estes países continuam apresentando divergências sobre como colocar em prática o corte de subsídios e de tarifas de importação agrícolas. Os europeus continuam cobrando dos Estados Unidos a redução dos subsídios internos concedidos aos agricultores do país. E os americanos continuam exigindo que a Europa reduza suas tarifas de importação de produtos agrícolas, ou seja, facilite o acesso de outros países aos seus mercados. Apesar de terem declarado durante o encontro em Paris que estão “aproximando suas posições” sobre o assunto, as duas potências econômicas continuam se alfinetando em relação à questão. Pressão “A União Européia e o Japão concedem mais subsídios aos seus agricultores do que os Estados Unidos. É necessário reequilibrar a negociação na direção de uma maior abertura dos mercados agrícolas” declarou o secretário americano do Comércio, Robert Portman, que vem sendo pressionado pelos demais para diminuir o apoio doméstico dado aos agricultores do país. Apesar da importância estratégica da articulação política entre esses três países e o bloco europeu para tentar desbloquear as negociações da OMC, seus representantes reconhecem as dificuldades e o pouco tempo para tentar superá-las. “Se não fizermos progressos até a reunião de Hong Kong, não poderemos concluir o acordo para a liberalização do comércio mundial até 2006”, afirmou Portman. Ele declarou, no entanto “estar otimista” com as discussões realizadas nesta sexta-feira em Paris. “Alguns avanços foram feitos e consensos foram obtidos, mas ainda temos muito trabalho pela frente”, reconheceu o comissário europeu do Comércio, Peter Mandelson. O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, cita quais progressos teriam sido obtidos neste encontro em Paris: “a melhor compreensão das dificuldades e a disposição dos governos de continuar trabalhando para superá-las”. Mas na prática, os problemas que envolvem a redução de tarifas de importação e de corte de subsídios da parte dos países ricos já são conhecidos e debatidos há bastante tempo. “Não vamos esconder que há um caminho importante a percorrer em vários aspectos das disussões na área agrícola. O primeiro passo em uma negociação é compreender as dificuldades e mostrar disposição política para superá-las. A reunião em Paris foi extremamente útil para permitir essa compreensão”, disse o ministro. Segundo Amorim, isso já é importante para tentar desbloquear as negociações da chamada rodada de Doha da OMC, que prevê a liberalização do comércio mundial. Várias reuniões serão realizadas em nível técnico e também ministerial até a conferência ministerial de Hong Kong, em dezembro. Mas se nessa corrida contra o relógio os quatro maiores produtores agrícolas mundiais continuarem apenas “compreendendo” suas diferenças durante as reuniões, as chances de que um acordo seja obtido no prazo de três meses se tornam cada vez menores. A rodada de Doha foi iniciada em 2001 e deveria ter sido concluída em 2004. Apesar disso, os ministros preferiram se mostrar na reunião em Paris confiantes em relação à data de 2006 para a conclusão do acordo. |
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