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Negociadores da OMC buscam avanço concreto em Paris | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Brasil, Índia, União Européia e Estados Unidos sentam à mesa a partir desta quinta-feira, em Paris, na busca por avanços concretos, principalmente na área de agricultura, para a liberalização do comércio mundial. A menos de três meses da reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Hong Kong, os negociadores correm contra o tempo a fim de evitar o fiasco de chegar no encontro com as mãos abanando após quatro anos da abertura da Rodada de Doha e ainda sob o "fantasma" do fracasso de Cancún. O encontro é informal, mas todos os representantes de peso dos países em questão estão presentes na capital francesa: Robert Portman (Estados Unidos), Peter Mandelson (União Européia), Celso Amorim (Brasil) e Kaml Nath (Índia), assim como o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy. Na tarde desta quinta-feira, Amorim já havia se reunido a portas fechadas com Portman e tinha encontro marcado com Mandelson. Mas é na sexta-feira que as cartas devem ser colocadas sobre a mesa. Impasse Os países em desenvolvimento pressionam os americanos e os europeus para que aprovem a proposta de acordo apresentada pelo G-20 para os três pilares das negociações agrícolas: acesso a mercados, competitividade internacional e redução ou eliminação do apoio pelos governos à produção. A agricultura chega a representar quase a metade da produção de alguns países em desenvolvimento, comparado com menos de 5% nas economias industrializadas. Por isso que os países em desenvolvimento, que são maioria na OMC, dão importância a esse tema. Mas é exatamente o impasse na negociação agrícola que trava toda a Rodada de Doha, que também negocia medidas para o setor industrial e de serviços, duas áreas de grande interesse para os países desenvolvidos. "Ninguém dos países em desenvolvimento vai mover o que é preciso mover nas áreas de serviço e indústria sem que se saiba exatamente o que se vai ganhar na agricultura", diz Rafael Benke, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "A agricultura sempre ficou pendente em termos de liberalização. Então, enquanto os países desenvolvidos não apresentarem progressos na área agrícola, a Rodada fica difícil de progredir." Números Nesse estágio, as discussões se resumem a números, como observa Gary Campkin, diretor para a área de comércio internacional da Confederação da Indústria Britânica. "São números relacionados à redução de subsídios que distorcem o comércio, de subsídios domésticos e também relacionados ao acesso a mercados. Você poderia dizer que, no fim, tudo acaba em matemática, mas há também a discussão de cenários, isto é, qual a consequência de tais números quando colocados nessas fórmulas de redução", diz Campkin. O embaixador da Índia na OMC, Ujal Singh Bhatia, diz que os países em desenvolvimento "estão esperando esse aval (para a proposta do G-20) a fim de poder acertar os números". Sobre a reunião em Paris, ele comenta que não está "nem otimista nem pessimista". "Queremos apenas passos concretos", destaca. A importância dessa quantificação é que ela gera os compromissos necessários para a liberalização do comércio mundial. Segundo estimativas do Banco Mundial, a conclusão da Rodada de Doha poderia aumentar o comércio global em cerca de US$ 250 bilhões até 2015. |
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