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Atualizado às: 15 de setembro, 2005 - 05h28 GMT (02h28 Brasília)
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Discurso de Bush agrada países em desenvolvimento

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, discursando na ONU nesta quarta-feira
Bush disse que abrir mercados é fundamental para desenvolvimento
O discurso do presidente americano, George W. Bush, se comprometendo com as Metas do Milênio de redução da pobreza e com o fim dos subsídios agrícolas foi recebido com entusiasmo por líderes de países em desenvolvimento.

“Estou impressionado com o discurso”, disse o presidente do Peru, Alejandro Toledo. “Ele falou de um comércio mais justo, sem subsídios. Me alegro ao ouvir isso. Não é possível pedir aos países em desenvolvimento que abramos nossos mercados quando eles protegem os seus. Vejo com muito otimismo”, afirmou.

Toledo disse que notou o mesmo sentimento ao conversar com outros líderes sobre o discurso do presidente americano. “Vejo com maior otimismo uma relação comercial muito mais equitativa no futuro”, disse.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, também gostou do discurso. “Muito boa a referência aos subsídios, espero que seja plenamente cumprida. Vou me encontrar com o secretário de Comércio Robert Portman na semana que vem e vou cobrar dele”, disse.

No discurso, o presidente Bush prometeu acabar com os subsídios nos Estados Unidos se outros países fizerem o mesmo.

“Abrir os mercados é fundamental para promover o desenvolvimento” afirmou Bush, que pediu que os países se esforcem para concluir de forma bem-sucedida a Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio, que tem por objetivo aumentar a abertura das economias para promover o desenvolvimento.

Pobreza e terrorismo

Amorim e Toledo notaram mudanças no discurso do presidente Bush, que mencionou a pobreza como uma das causas do terrorismo. “Essa é uma novidade boa”, disse Amorim.

A promessa de comprometimento com as Metas do Milênio também foi bem recebida por representantes da África, um dos continentes que mais vão se beneficiar com esses investimentos.

“Foi uma notícia muito interessante de se ouvir do presidente Bush”, avalia o diretor da Divisão de Desenvolvimento Sustentável da Comissão Econômica para a África, Josué Dioné.

“Vindo de alguém no nível dele, achamos que realmente é um compromisso”, afirmou.

As declarações de Bush contra as barreiras comerciais, na avaliação de Dioné, são exatamente o que a África tem buscado há muito tempo. “O que nós queremos é justamente oportunidades de comércio para podermos nos desenvolver, disse ele.

Dioné vê com otimismo o fato de uma afirmação parecida já ter sido feita por representantes da União Européia. “Se todos começam a falar a mesma linguagem, alguma coisa pode ser feita”, disse.

A delegação do Senegal na reunião de cúpula também ficou satisfeita com o discurso do presidente americano.

“Fiquei muito surpreso, porque todo mundo diz que o presidente Bush só está preocupado com o terrorismo e não pensa em desenvolvimento, mas neste discurso ele foi muito prático e reafirmou seu compromisso com desenvolvimento e redução da pobreza”, disse o chefe da delegação, Aboubacry Demba Lom.

“Temos um compromisso com as Metas do Milênio”, afirmou Bush. “Temos uma obrigação moral de ajudar os outros e um compromisso moral de garantir que nossas ações sejam efetivas”, disse ele.

Katrina

O governo americano resistiu a uma afirmação mais explícita, no documento da cúpula, de que os países desenvolvidos deveriam destinar 0,7% do PIB (Produto Interno Bruto) a projetos de desenvolvimento nas regiões mais pobres, como se calcula que seria necessário para cumprir até 2015 as metas de redução da pobreza no mundo pela metade.

Atualmente os Estados Unidos, embora sejam o país que mais investe em valores absolutos, destinam apenas 0,16% do PIB para estes projetos. Na média, os países desenvolvidos investem 0,25%.

O representante do governo senegalês acha que foi o furacão Katrina que mudou o estilo do governo americano – que no início do seu pronunciamento agradeceu o apoio internacional recebido durante a tragédia.

Embora o discurso tenha sido amplamente elogiado, nem todos acreditam que o governo americano vai colocá-lo em prática.

“Foi um discurso muito bom, mas já estamos ouvindo isso há algum tempo e isso não entrou nem mesmo no documento da ONU. Falta transformar as palavras em ação”, afirmou Martin Kirk, assessor da organização não-governamental Save the Children.

No caso do comércio, Kirk diz que existe uma situação desigual entre os produtores europeus ou americanos e africanos e que a simples abertura de mercado não será suficiente.

“Os mercados precisam ser abertos, mas gradualmente e com cuidado, e os países em desenvolvimento precisam de ajuda para se adequar e conseguir competir”, afirma.

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