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Bush reafirma compromisso dos EUA com Metas do Milênio | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou em seu discurso nesta quarta-feira na abertura da reunião de cúpula da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York que o seu país está comprometido com as Metas do Milênio definidas pelo órgão. "Há uma pauta ambiciosa que inclui redução da pobreza e da fome pela metade, garantido que todos os meninos e meninas tenham acesso a escola primária e o fim da propagação da Aids, tudo até 2015. Nós temos uma obrigação moral de ajudar os outros, um dever moral de garantir que nossas ações sejam eficazes", afirmou Bush. De acordo com o presidente americano, o combate à pobreza exige melhorar as condições de comércio internacional por meio da rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). "O caminho mais apropriado para maior riqueza é maior comércio. A rodada de Doha é o caminho mais promissor para atingir esta meta." "Uma rodada de Doha bem sucedida reduziria e eliminaria tarifas e outras barreiras a produtos industriais e agrícolas. Isto acabará com subsídios agrícolas injustos, abrirá os mercados globais para serviços", disse o presidente americano. Bush afirmou que os Estados Unidos "estão dispostos a eliminar todas as tarifas, subsídios e outras barreiras ao livre-trânsito de produtos e serviços se outras nações fizerem o mesmo". "É a chave para vencer a pobreza nas nações mais pobres do mundo", disse o presidente. Segurança Bush pediu ainda em seu discurso aos representantes de mais de 150 países reunidos na Assembléia da ONU uma "ampla convenção para o terrorismo internacional". "Neste novo século, os quatro cantos do mundo estão ligados mais intensamente do que antes, e nenhuma nação pode ficar isolada e indiferente às dificuldades de outras." Segundo o presidente americano, "não haverá segurança" em ignorar quando um país ou região está "cheio de ressentimento e vulnerável a ideologias violentas", pois a ameaça "passa facilmente por oceanos e fronteiras, e pode ameaçar a segurança de qualquer país pacífico". Discursando antes de Bush, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que grandes divergências impediram o avanço em várias áreas do pacote de reformas da ONU, especialmente em questões de não-proliferação nuclear, desarmamento e na reforma do Conselho de Segurança. Mas Annan disse aos representantes de mais de 150 países presentes à reunião, inclusive do Brasil, que este é um bom começo e apelou a eles que completem seu trabalho. No seu pronunciamento, Annan deu grande ênfase à questão da não-proliferação, lamentando o fato de o documento prevendo as reformas não estabelecer metas nessa área. A Assembléia Geral aprovou na terça-feira uma versão diluída dos compromissos que serão adotados pelos chefes de Estado que participam da cúpula mundial a partir desta quarta-feira, em Nova York. Negociações Depois de intensas negociações que atravessaram o fim de semana e foram até terça-feira de madrugada, os representantes de um grupo de 32 países aceitaram uma versão do documento elaborada pelo presidente da Assembléia Geral, Jean Ping, do Gabão. O texto foi então submetido à Assembléia, formada por 191 países. “Não é um texto que resulta das negociações, é um texto apresentado pelo presidente da Assembléia para que se chegasse a um acordo que pudesse ser aceitável”, afirmou à BBC Brasil o embaixador brasileiro na ONU, Ronaldo Sardenberg, que participou dos dois grupos, primeiro de 32 e depois de 15 países, que se dedicaram a tentar um acordo que agradasse a todos e ao mesmo tempo apresentasse avanços. O embaixador disse que o texto é bem melhor do que o anterior, do qual havia reclamado bastante poucas horas antes. “Não é que estejamos inteiramente satisfeitos, mas houve avanços significativos”, afirmou Sardenberg. O documento inclui uma promessa de honrar as Metas do Milênio da ONU, voltadas para a redução da pobreza no mundo, e de evitar genocídios como o que aconteceu em Ruanda em 1994. Os delegados também concordaram na criação de um novo órgão para substituir a atual Comissão de Direitos Humanos, um dos pontos polêmicos que atravancavam as discussões. Ainda assim, o documento faz apenas uma menção genérica ao novo órgão, sem fornecer detalhes de como funcionaria. Outros pontos sobre os quais não houve consenso, no entanto, foram deixados de fora, como a questão da não-proliferação nuclear e uma definição internacional para terrorismo. |
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