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Atualizado às: 12 de setembro, 2005 - 20h23 GMT (17h23 Brasília)
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América Latina vai desunida para reunião da ONU

Símbolo da ONU
Marcada por profundas divisões internas, que vão da reforma do Conselho de Segurança à definição do conceito de "terrorismo", a América Latina marcha desunida para a 60ª Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que deverá ser aberta nesta quarta-feira, em Nova York.

O principal objetivo da reunião de cúpula, que contará com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre outros 170 chefes de Estado, é adotar uma declaração com o esboço da mais radical reforma da história da ONU, propondo mudanças que abrangem tanto questões administrativas como o combate global à pobreza.

“Infelizmente, em função de vários desacordos, os países latino-americanos não têm uma posição comum para a reforma da ONU”, disse o embaixador argentino nas Nações Unidas, Cesar Mayoral, à BBC Brasil. “Isso é lamentável, pois nossa região precisa marchar unida para lutar pela causa do desenvolvimento.”

As principais desavenças entre os latino-americanos incluem a candidatura brasileira a uma vaga permanente no Conselho de Segurança, que foi rejeitada pela maioria dos países da região, a recusa da Venezuela e de Cuba em apoiar a criação de um Conselho dos Direitos Humanos e a ênfase dada pela Colômbia à chamada “guerra ao terror.”

Impasse global

No plano global, enquanto os países em desenvolvimento, inclusive os latino-americanos, reivindicam o cumprimento das Metas do Milênio, adotadas em 2000 com o objetivo de reduzir a pobreza global à metade em 2015, boa parte dos países ricos, capitaneados pelos Estados Unidos, recusam-se a dedicar 0,7% de seu Produto Interno Bruto (PIB) a programas de combate à miséria e à fome.

“As negociações estão basicamente num impasse,” disse o embaixador brasileiro na ONU, Ronaldo Sardenberg. “Para nós, o tema do desenvolvimento deve ser central, porque nos últimos cinco anos nós não conseguimos que essas metas fossem implementadas no ritmo necessário.”

Mas, apesar das intensas consultas entre as delegações, que atravessaram o último fim-de-semana, o ritmo das negociações segue lento. O próprio secretário-geral da ONU, Kofi Annan, confessou estar “preocupado” de que o documento a ser adotado na reunião de cúpula esteja muito aquém do planejado.

“Um acordo é muito difícil, principalmente quando os países-membros não se entendem sobre parágrafos inteiros do esboço,” disse Mayoral.

Conselho de Segurança

Ao contrário do que deseja o Brasil, e seus aliados do G4 (Alemanha, Índia e Japão), dificilmente o esboço adotará o prazo do próximo dia 31 de dezembro para que as Nações Unidas se definam sobre o modelo a ser adotado para a reforma do Conselho de Segurança (CS).

“Pensamos que esse prazo não deva existir, já que a questão central aqui é obter um modelo que tenha o apoio de dois terços dos países, coisa que ainda não aconteceu,” disse Mayoral.

De acordo com um diplomata africano ouvido pela BBC Brasil, o G4 está apenas aguardando as eleições para primeiro-ministro na Alemanha, no próximo dia 18, para retomar suas negociações.

Mas Mayoral acredita que dificilmente o G4 conseguirá as adesões necessárias às suas ambições entre os países-membros.

“É preciso ser realista. Não é que falte (ao G4) apenas o voto africano, mas também a vontade política dos membros permanentes (Estados Unidos e China) em aceitar que haja novos membros permanentes. Acho que isso é definitivo e creio que tanto Japão quanto Alemanha, Índia e Brasil têm que aceitar que essa é a realidade,” disse.

Para Sardenberg, as negociações em torno da reforma do CS devem prosseguir em 2005. “Vamos continuar a trabalhar com os países do G4, com os nossos amigos, assim que esse tema das metas do milênio passar,” concluiu.

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