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Pascal Lamy assume OMC com desafio de concluir Doha | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O francês Pascal Lamy, conhecido por sua resistência como corredor de maratonas, terá de mostrar fôlego fora das pistas a partir desta quinta-feira, quando assume a diretoria da Organização Mundial do Comércio (OMC). A menos de quatro meses da reunião ministerial da OMC em Hong Kong, Lamy passa a comandar a entidade com a difícil tarefa de concluir a conturbada rodada Doha. O tailandês Supachai Panitchpakdi, que está deixando o cargo de diretor-geral, descreveu recentemente a evolução das negociações como "decepcionante". A pesquisadora do Instituto de Economia Internacional, nos Estados Unidos, Kimberley Ann Elliot afirma que uma solução passa necessariamente por um acordo no setor agrícola. "O maior desafio que Pascal Lamy enfrentará na OMC será (buscar) um avanço nas negociações agrícolas. Isso está travando toda a agenda de negociações da Rodada Doha", afirmou Elliot, em entrevista à BBC Brasil. "Antes de tomar qualquer decisão, os países em desenvolvimento estão esperando o que os países ricos vão fazer na área de agricultura. Então tem que haver um avanço nesse setor." Segundo levantamento do governo brasileiro, a agricultura representa de 30% a 50% da produção de alguns países em desenvolvimento, comparado entre 3% a 5% nas economias industrializadas. Por isso que os países em desenvolvimento – a maioria na OMC – dão importância para as negociações agrícolas. Reta final A atual rodada de negociações foi criada em 2001, em Doha (Catar), para liberalizar o comércio mundial por meio da redução de barreiras alfandegárias e dos subsídios concedidos pelos países ricos a seus agricultores. Em troca, os países em desenvolvimento concederiam um maior acesso aos mercados de produtos industriais e serviços. A rodada deveria ter sido concluída no início deste ano, mas está travada. Diplomatas e técnicos trabalham para tentar chegar a algum acordo até dezembro, quando será realizada a reunião em Hong Kong. O embaixador Piragibe Tarragô, diretor do Departamento Econômico do Itamaraty, diz que a expectativa é que Lamy traga novas idéias para a mesa de negociações e ajude a destravar temas polêmicos, como os subsídios à exportação nos países ricos. Mas ele reconhece que a tarefa não é simples. "A entrada de Lamy nesse trecho da rodada, que já está próximo do final, aumenta ainda mais a responsabilidade dele na condução das negociações", avalia Tarragô. "Nós, países, é que negociamos os textos e os acordos, mas o diretor-geral organiza da melhor maneira possível o ambiente para que essas negociações possam se desenrolar de maneira profícua." O embaixador observa que os negociadores da OMC se sentem tranqüilos com Pascal Lamy porque sabem que "ele conhece muito bem a organização e tem interesse em estimular o comércio mundial". O fato de ser de origem de um país rico, a França, não deve representar uma inclinação para a Europa, segundo Tarragô. "Sempre fica aquela impressão de que, por ser da União Européia, ele poderá defender posições da União Européia. Mas acho que ele, sendo um grande profissional, como ele é, saberá distinguir entre defender posturas da União Européia e defender os interesses de todos os países membros da organização, como deve ser o papel do diretor-geral." Prazo Os membros da OMC têm até o final de 2006 para completar a Rodada Doha. Em 2007 os acordos serão votados nos Parlamentos de cada país membro. O prazo não pode passar disso porque em 2007 termina o mandato negociador dos Estados Unidos, o chamado "Fast Track". Mas quem ganha com o sucesso da Rodada Doha? "Todos os países envolvidos", de acordo com Amy Barry, representante para a área de comércio da ONG britânica Oxfam. "O comércio global tem o potencial de tirar milhões de pessoas da pobreza. Mas no momento ele não está fazendo isso porque as regras beneficiam os países ricos e as grandes corporações", diz Barry. "Os países em desenvolvimento entraram nas negociações para mudar essa situação. Só assim a pobreza irá diminuir, serão criados empregos, a renda aumentará, as famílias terão dinheiro para mandar seus filhos para a escola. Esse é o resultado final." Segundo estimativas do Banco Mundial, a conclusão da Rodada Doha, com a liberalização na agricultura, poderia aumentar o comércio global em cerca de US$ 250 bilhões (cerca de R$ 594 bilhões) até 2015. |
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